37
“De onde copia você o que escreve?”
Não me ri, ouvi serio e respeitosamente
e depois num acto de fé enumerei lentamente
as revistas e as vidas, os segundos e os momentos
que eu roubo e faço meus
as vidas que por mim passam e se fazem minhas
de eu sem lhes pedir licença
as aproveitar.
Os livros, os filmes, os passos que dou
e tantas vezes os que não dou
porque outros por mim o fizeram
e eu sem vergonha aproveito.
Senti o armário que sou nas gavetas tantas
numeradas e nomeadas que sem fim fui abrindo
aos momentos e por momentos escancarados
que longamente desfiei do novelo que afinal não é meu.
Quando quase sem fôlego parei, na curta pausa que fiz
e antes que vergonhosamente me esquecesse de o fazer
pedi licença para plagiar a palestra tão construtiva
que amenamente tínhamos tido.
Sem comentários:
Enviar um comentário