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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Somos riachos correndo

O peso das palavras
nunca é preciso
o comprimento das palavras
nunca é medido

ouço toneladas de asneiras
e calar não é silêncio
ouço palavras leves como espiritos
que me calam silenciosas

vejo quilómetros de tolices
permanentes...... nos olhos fechados
de sentir brisas como afagos
de palavras curtas e caídas

de as sentir enrolando
infinitos que me fogem
leveza que me repele

Que somos? Pequenos riachos
correndo pedras, correndo areia e terra
das cores todas, todas do sonho delas
de as pertencer, de as pintar
dissolver

correr a largura de um pé
que se alonga
que se une em pequenas poças
que depois transbordam
levando gotas de todos os lados

das nuvens brancas
que desabaram negras
dos rios grandes e dos pequenos
dos riachos, dos oceanos
memórias em cada gota
do que a pintou, do que pertenceu, do que foi
correndo cascatas ao sol, na verdura que permite
na verdade de correr o tempo quieto

no sol que ergue e depois baixa
no enterrar que se faz poços
as palavras como figuras ocas, dos tamanhos todos
das formas todas
se vão enchendo das cores de momentos corridos.

Palavras de as conhecer, desconhecendo sempre
nas cores novas, leves, no prolongar delas
arrastadas, como borrões nem sempre belos

o mundo todo, guardado nas palavras todas
e depois o embrulho do presente
na vastidão do vazio, do silêncio.............................










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