Tantas vezes
atordoado fiquei
e tantas vezes me calhou
olhar sem palavras
de as ter excessivas
e atropeladas pelos cantos
engasgadas pelos cantos
atordoadas pela beleza do entendido
expandidas pelo universo
de as ter como formigas pequenas
berrando silêncios de palavras por dizer.
Corri chuva e vento com Bernardo Soares
percorri estrelas com Campos
contei pedras e seres com Caeiro.
Silêncios repletos de palavras
caladas, entendidas como se existisse entendimento
sem elas
sentidas num respirar curto e ofegante
de um silêncio impossível
de haver sempre, ecos ressoando palavras
entre cada batida ofegada de um infinito
expandindo, expandindo palavras
como presentes eternos.
Tantas vezes as tentei
uma por uma
tentei de cada uma
o brilho, a luz, a cor
a igualdade que as permite diferentes
em cada conjunto de cores e silêncios
em cada conjunto que a luz esbate
que o sonho adormece pequeno silencioso
na luz que tomba dentro
pardacenta
bocejando cansaços pequenos.
Descer gotas ou subir gotas
neste erguer constante do Presente
que acumula areia deslizante
escorrendo tempo enxuto
de castelos desfazendo vento.
Desço gotas subo gotas
procurando ínfimos sorrisos
encontrando estrelas infinitas
no pequeno e no grande
que não entendo
no grande e no pequeno
que por mim entendo.
Sento e aguardo...
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