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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O escurecer prolongado

Caminhar no escuro longamente
o tempo longo de habituar

é curto, o tempo
e deixa de tropeçar
o tempo

a cabeça funciona no escuro
o escuro funciona melhor
na cabeça escura
nas sombras de uma luz
de outra banda

Será que as ideias precisam da luz
para terem corpo?
As palavras unem-se no fundo
muito escuro
azul escuro sem estrelas.
Unem-se como se fossem todas iguais
e não são?
A pincelada certa e uniforme
une os extremos

e o túnel prossegue
afastando ideias da luz de entrar
prossegue noites
de as querer quietas, caladas
vazias e silenciosas

como castigo de tanto querer
recebe pingos, que no chão ressaltam
de altas fissuras que queimam do caminho
o escuro, que deixa de ser
espaço a  espaço de cegueira
no passo que se retarda tropeçado

entrar e sair do sonho
com luz, sem luz, sem sonho
neste engasgar da sede, na água
que pára escura quieta
esquecida de cintilar
esquecida









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