Invernos como infernos que se acabam, de tudo se acabar.
Primaveras sucessivas, ressuscitadas, molhadas ou secas, ano após ano, miudezas que se acumulam, grandes como dias estacionados, insensatos e sensatos e o tempo passa, os passos diluem-se direitos, pequenos, no aguardar do melhor, do mais perfeito, no há-de vir, no acabar de ainda haver um recomeço por ceifar ainda, quente, quente de olhar e não ver dos dias que passam, o perfeito de cada um, passados um a um como presentes constantes.
Unidades de tempo, referências permanentes, vagas, vazios de encher e de vazar, miudezas que o são, sempre, e não parecem.
O centro do mundo numa Tabacaria, certo e desfeito, certo e refeito, desfasado de nada ser certo, num tempo que arredonda os idos e os vindos e tudo é tão real como ser e não ser.
Universos paralelos de razões, certas, certezas racionais flutuando num universo incerto, paralelo, como se a luz acabasse em cada espelho, que se lava de uma sujidade que o tempo lava sempre.
O que dói, quase o esqueço nesta busca baldada, do lado que mais quero, do lado certo, do real que já tenho, engolido a seco, de o ser por pouco tempo, de ser o que encontro e o que perco sem pena, de já ter nascido depenado.
Quantos são os graus da bebedeira de estar vivo? Quantas voltas se ganham para entontecer, a tontura de nascer?
A Tabacaria como centro, referência que permite o regresso, das viagens por tudo e por nada. Musas e carroças que todos podem e o Esteves certo e real, no fim de uma volta que se retoma, de ser sempre nova, a volta.
Escrever para sentir, ou sentir para escrever. As coisas não param e as sensações contam sempre, as primeiras quase sempre, como definitivas, depois vem o sumo de pensar, de tentar, de repetir, o arrastado sentir de cardumes vazios e as volutas de fumo preenchem espaços, tonteiras e devaneios de estar por aqui, ainda, no sitio de não haver outro e o coração compra, os momentos todos e aguenta.
Das pedras de Guimarães, à menina que centrou a Tabacaria, tanto, no seu centro, que segundos, que pedaços, que miudezas se perdem, em cada ganho de tentar entender, de cada segundo, o que se respira e não se entende?
Klee vive ainda, ou sempre, nos borrões mais feios, nas aguarelas escorridas, no sonho de entender o sonho, sempre, quando o sonho, escorrido, prolongado no ser de todos o borrão de ninguém, que todos podem sentir................................................................................
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