Translate

sábado, 26 de maio de 2012

Paredes de Guimarães

Paredes sem telhado, lembranças de calores idos, erguidas como lápides de um tempo mais morto, que os mortos desse tempo, glorias de fogachos, nas marcas incrustadas nas muralhas ainda erguidas. Berço de embalo nenhum, Portugal dali começou, inchou grandioso, encolheu democratico e livre, de poder gastar tudo hoje e pagar no amanhã, que vem sempre longe.
As casas de outrora, que rodeavam as muralhas, são agora jardins desfeitos e refeitos, sempre fora do prazo.


8 Precursos dos percursos

2
Foi como ter nascido colado a um edifício
e durante muito tempo
o Mundo foi a visão daquela pedra
que arranhava, lavrada num pico grosso
velha de muitas intempéries
e de tantas cores brilhantes
formadas rente aos olhos
como visão única.

O tempo e a consciência
foram descolando as visões
e devagar, muito devagar
permitiram a distância
e as pedras foram-se multiplicando
.
De inicio ainda as sentia distintas
mas pouco depois
já só pareciam
pedras iguais.

A visão da primeira parede foi maravilhosa
e criou a urgente necessidade das outras
que longamente foram apreciadas
na lentidão de um longo trajecto
na distância segura das visões
que pareciam certas
e rodeavam o centro
que parecia certo mas distante
na distância certa.

Depois veio o cansaço
e a vontade de pertencer.

Tentei encurtar a distância que se alongava
e encontrei portas,
muitas portas nas paredes todas
e das que não tinham a minha medida
às que estavam fora do tempo de as ter tido
nenhuma me servia e eu continuei andando
naquele vazio de andar em circulo
num desgaste de pedras interiores
incapaz até de encontrar a primeira visão
perdida
no sucessivo acumular
de pedras iguais.













Sem comentários:

Enviar um comentário