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sábado, 12 de maio de 2012

Não há palavras.


Somente as  necessárias, as de  cada ser vivo, repetidas e constantes, de serem sempre as mesmas, diferentes, dos segundos sempre diferentes, como contas de escorrer, transbordar o tempo todo, pela vida toda. Somente as necessárias, infinitas, de não haver gotas iguais, de ter nas mãos escorrendo constantes, praias de areia sempre diferente, grão a grão, partícula a partícula, de serem inícios sem fim, universos em cada canto e eu num curto espaço, num recanto de palavras que sonham, o tempo de as ter emprestadas.
Salonen, Richard Strauss e a " Metamorfose" que ouço repetitivamente nos últimos dias, sempre como se fosse a primeira vez, sonho as palavras que nela se guardam e como todas não entendo, do tempo e dos sons o serem sempre diferentes, as palavras e as vidas, palavras vivas, que o tempo acaba recomeçadas.
Coerência de sentir o fio que une os trapos, do tempo, da cabeça e de pensar, nem sempre bem e ter que dar nome, ao que vagueia pelas estrelas, de as querer a todas na cabeça, de olhos fechados, num encontro constante, de praias perdidas, nas mãos abertas escorridas.


6 MOMENTOS

26
Sempre na areia tentei escavar
na busca do que não sei
de areia que parece sempre igual.

Molhada por vezes
ao sol seca
e parece depois
ainda mais igual 
enquanto seca, resvala para o buraco
que nunca mais acaba de se tentar.

Constante desaba
parando de vez em quando
por momentos curtos que escorregam
enquanto tento na forma e textura
por momentos
encontrar a novidade
que não surge
na igualdade dos grãos
sempre iguais, sempre iguais
na igualdade que nunca os repete.

Nenhum é igual mas todos o são
no que eu tento de buraco que escorrega
e nunca se afunda
nunca se ergue fundo
incapaz da firmeza
enquanto escorrega
persistente e constante no que é
de buraco que não se afunda.


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