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Do universo extenso
do eterno apressado
sobram sempre as migalhas
que ninguém come
deste bolo
que nas mãos se desfaz
e não há pássaros que as comam
nem gente que aproveite
das pernas que tem
o caminho que nelas se encerra.
Corram o que podem
porque nem sempre poderão
de cada corrida atingir a meta
do cansaço
e da luta de cada uma.
Que ao menos valha a pena
a meta do cansaço
de cada corrida.
Sinto hoje do universo
a retrete que me senta
erguendo o que sou
e nunca deixarei de ser
do eterno que não posso
e todos os dias eu sento
para que se repita
o que todos os dias se repete.
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