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O exorcismo do que dói do que mais importa
é feito em viagem
e sentido nas paragens
ou nos trajectos de conseguir manter abertos
os olhos ou a visão de dentro
a das cortinas que nem sempre se cerram
no descanso do que basta.
Tudo se resume a uma passagem curta
e nela o que se come, o que se aproveita
é o proveito imenso de tudo ser tão curto
no desfocar das visões para que nenhuma se repita
no serem todas diferentes
de todas serem sentidas
de maneira diferente
por quem as sente ou só pensa que sente
como quem de nada, cria nada e pensa ter tudo
no rebolar das ideias que atenuam constantes
da paisagem a passagem ainda.
Janelas da razão que passa ao longe na linha das montanhas,
ou nas ondas
ou nas casas de estarem lá alheias de gente.
As sensações desenrolam-se como se fossem as linhas de um sismógrafo
nos abanões sucessivos de uma paisagem que se desenrola
em pequenos tremores de vida que palpita
abanões que se repetem ainda
tremores e abanões que palpitam ainda
arredados do grande abanão.
O meu filho está bem, o Vítor regressou do Alentejo
a paisagem ganhou as cores de um sossego aparente
que a Paula propicia.
Nem os gatos me incomodam
ouço Brahms como quem reza
e pela terceira vez como se ainda fosse a primeira
ouço o concerto nº1 para piano
e tento entender os sismos que me estremecem
como se fossem eles e só eles
a recusa que ainda posso da morte que a meu lado
sorri no sorriso de tudo e todos que me foram
que fui
e se esgotam nesta passagem.
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