PENSAR
O OLHAR
1
Um
girar sem fim
de
que tudo parte a que tudo regressa
um
enorme circulo que no fim começa
tudo
é partir num regresso que se foi.
2
O
passe que pago me parece caro
mas
não é
o
pouco dinheiro que nele ponho
não
paga
aventuras,
prazeres e arrelias que com ele tenho
não
paga
a
selva civilizada em que viajo
sempre
nova, sempre imprevista.
É a calcadela
é
a moça que se irrita porque lhe tocam
é
a moça que procura o toque
é
o velho sedutor de olhos piscos
é
o encontrão apalpão
são
as anedotas vivas
de
gente que pensa não o ser.
Há velhas a cair
e
crianças a sorrir
há
solavancos que tudo revolvem
e
protestos que se levantam inúteis.
Adormeço com solavancos
acordo
estremunhado, quente curto sono
e
a paragem já passou
e
eu exercito pernas, corro atrasado
caminho
em dia de greve
bato
pés porque não chega o transporte
e
ele vem cheio e eu não vou, irrito-me
e
o mundo é só raiva
que
logo passa e descanso.
Na selva de braços e de pernas
me
movo entre troncos que se apertam
piso
e sou pisado, devolvo encontrões
cair
é quase impossível
mas
o choque é constante
e
quem não gosta aguenta
e
quem gosta aproveita.
3
Vivo
e recolho o que a mim vem ter
e
do inútil que tudo cobre
de
vez em quando, de vez em quando
há
beleza que brota de semente
que
ninguém semeou
e
eu sorrio porque tudo é bom
e
as dúvidas são só dúvidas.
4
Acordar
e ainda é cedo
não
ter ainda que levantar
e
lá fora faz frio e eu bocejo quente.
Levantar-me manhã cedo
e
no frio que me desperta
sentir
que aqueço e vivo.
Não me deitar
embora
mo peça o corpo cansado
aguardo
que o cansaço pese
e
adormeço sem pesadelo.
Sem
sono estendo o corpo
peço
sono que ainda não tenho
penso
com vagar no que já houve
e
adormeço no que vai haver.
Prolongo com prazer o bocejo quente
no
calor da cama que me adormece
nos
lençóis esfrego o corpo que sinto frio
até
que adormeço e já o não sinto.
Sem comentários:
Enviar um comentário