SEM PAUSAS NEM
ARREPENDIMENTOS
1
Forneci batatas
forneci água
forneci o tacho
forneci o fogão e o gás
e nunca tive a chama
que
me fodesse.
2
Sinto-me tão breve
momento a momento
neste afundar das
certezas que não tenho.
Sem tormento
aguardo incerto
e sossegado
aquilo que sempre houve
e não agarro
sedento.
Sinto-me tão breve
momento a momento
no afundar das certezas
que não há.
3
Agora que o sol vai
alto e o calor aperta
me sinto sedento de uma
sede que desconheço
me faço de um sossego
que não existe carente
e aguardo sem pressa o
dissipar do que há
na certeza que ainda me
mantém
De um nevoeiro que cedo
se dissipou
me surgiram cerradas as
certezas todas
que cedo se extinguiram
e com elas não morri.
4
Quem
sente por mim este fastio que se alonga
esta
pungente falta de uma dor que me dói
este
sossego que não sossega mansamente quieto.
Quantas
palavras se perderam no poço que eu sou
e
agora clamam o socorro que não posso
porque
não posso sentir o que sou no que sinto.
E
longos ses arrastando-se no rasto
que
eu persigo em longos trilhos esbatidos
que
eu sigo e comigo tudo segue
sem
que eu o sinta.
Por
nada rangem os meus ossos
no
rugido que em mim se abafa de o não poder.
Nada
me admira em nada me iludo
nesta
ilusão que vivo e de mim se admira.
Não
houve aprendizagem que fizesse
atamanquei
conhecimento
que
agora sinto nas teias que me enredam esvanecidas
por
tantas aranhas que por mim pensam
enredado
ou arredado
nos
escaninhos bolorentos esvanecidos.
Tudo
o que engoli é um vasto nada que de mim transborda
carroças
silenciosas encaminham fantasmas
que
são o que eu sou de os ter tido e nunca os tive.
Penso,
penso, penso e nunca (por pensar) me faço mais do que já sou
e
por mais que o faça não há brisa que não desfaça
o
que penso e se desfaz inútil
no
que em mim sinto longo e fútil.
Tenho
sensações como todos e ninguém
tenho
soluções que se acabam desfiadas na linha podre
que
me amarra nas ilusões que eu sou e sinto.
Revolto-me
em cada passo do atraso de que me faço
e
por mim passam soluções que não abraço
das
ilusões que não alcanço.
Que
sou eu além de um bolor que se perdeu
que
sou eu além do que penso sentir de dor
no
que não sinto afinal em nada que me valha
além
do que em mim sinto e me falha.
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