ELEMENTOS DO ESPÍRITO
1
Depois do frio,
vem o sol que não escalda
mas amorna do verde,
o frio e o agreste da noite.
As cores estão mais nítidas
e têm agora as formas
de serem reconhecíveis
pela cabeça que nelas repousa.
São como elementos
de um espírito benevolente
que as deixa inundar de uma luz
que parece a de ontem
mas com mais paz luminosa.
A luz de hoje não é de ontem
o que sinto hoje
não é o que senti ontem
o desequilíbrio de ontem
não é a falta de equilíbrio de hoje.
O descanso de hoje tem a luz
que ontem não tinha.
1/1
Pequenas parcelas
quase imperceptíveis
permitem a osmose
do exterior de coisas
com as coisas interiores,
quietas e sossegadas
do cansaço,
de nem ele poder ser perfeito.
Por isso tudo pode ser feito,
sem pressa
na união dos elementos
que mais pesam
aos que permanecem
mais leves
num equilíbrio
de opostos.
1/2
O repouso do espírito
pouco habituado ao que é belo
de ser simples,
ausente do conflito e das questões
é sempre tão curto,
sempre pouco.
0 que é simples acaba sem aviso
na simplicidade
de ter sido simples
de ter sido e acabado.
1/3
Perdem-se tantas vezes
os verdes tão diferentes
que alcanço
e gostaria de conservar
afastados das perguntas que faço
como fuga
a um fastio que só eu sou
cansado das perguntas
e alheado das respostas
que nem espero.
2
Dar e arrepender de ter dado
de nada serve
e só inibe o dar ainda mais
na procura do que
respira
como respiramos.
O que chama e incentiva
o que de nós é melhor
numa dádiva nossa,
ao que nos aguarda
de nosso.
Sem pressa aguarda o nosso aguardar
sem pressa e nosso.
Aguardo o elemento catalisador
que me erga
da modorra de uma busca
expectante
para o proveito
de me sentir proveitoso.
Fora de mim, longe de mim
numa dádiva
que ainda não me encontrou
mas persiste certa
e no tempo que passa
com firmeza se agarra.
Eu sinto
fora de mim, em cada dádiva
muito longe, no que aguarda
sem arrependimento, o que nem entendo.
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