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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

4




CÍRCULOS QUE SE ESTREITAM
VASTIDÃO QUE SE ENCERRA 





1
Desconfortável se acomoda
este sossego que não existe
e assim se partem sempre
do que nunca se foi
os folhetos das viagens
que nunca se farão.

Partidas pela vastidão de todos
que todos perdem.

Acomodam-se na poeira que se acumula
e já nem se ergue
as promessas todas
das mentiras que nunca se foram
esquecidas das partidas
pela vastidão de tudo
que todos perdem.

De cada buraco
se erguem verdades
e com elas tudo se faz
e nelas tudo se encerra
para que seja sempre pouco
da vastidão de todos
o que todos podem.     





2
Do segundo
que nunca me foi permitido
se fazem distantes
os segundos que me permitem
e a todos eu agradeço
na esperança que não acaba
e por ele constante aguarda
nesta desculpa que me reveste
desta culpa que me esquece. 





3
As palavras alinham-se todas
e nada dizem
vazias
transbordam vazias.

Sinto-me tão cheio
de um vazio de tantos
que não posso ser de tantos
o vazio que me enche.

Cantam enormes
as palavras que não escuto
alinham-se todas
uma por uma vazias
de um sentido que nunca houve
na procura que lhes deu sentido.





4
Ciclos se atravessam
e se acabam
enquanto se redura
do que se pode
o circulo que nos enrola.

Paro e no que penso
penso sentir
e assim me conservo.

Voam livres os pássaros
que caem como tordos
que descem e se acabam
na boca de todos.

Paro e no que penso me sinto
me conservo
nesta moleza que me dura.


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