ACTOS NECESSÀRIOS
Pensar o sentir
1
O
que penso
me
lembra um sopro
que
por gente passa
e
ninguém sente
e contudo passa
mas
ninguém sente.
2
O
que tenho de dias passados
é
haver outros por passar
é
ser corredor e eles passam
é ser escada e eles descem
é
ser alheio e eles são meus.
O
que tenho de tristeza
é
já ter nascido com ela
é ter hábitos e
não fugir
é
acomodar e ganhar formas
sem
ter forma.
O
que tenho de paz
está na
tempestade que é profunda
sem
que transborde sofro
o
que me rodeia me irrita
o
que tenho me enfurece.
O
que tenho de amizade
é uma garrafa que esvazio
a
sede parece eterna
esgotando não sacio
sem
desejo sou anseio.
O
que tenho de meu
é o
fim que não conheço
enquanto vivo no que não é meu
sem
desejo do é meu.
A
criança que fui
de
sonhos e silenciosa timidez
tornou-se o adulto indeciso
que
um passo atrás
um
passo em frente
desligado de mim avança
rodeando este ser que sou
de quimeras que atrasam
de
sonhos que tropeçam
enquanto desfila concreto
em
passos de tempo que finda.
É negando que
aceito
o
passar do que custa
o
cair do que já foi tudo
e
docemente se tornou nada.
A
dor que me esquece
dos
sonhos desfeitos em promessas por cumprir
inibem o que sinto
dão-me gotas por sensações
e
nem bêbado nem lúcido
tropeço no que sou
no
alheio que me pica
e a
droga é fraca
e
dormir é sem sonho despertar.
Sonhei ser o
reflexo vazio
de
um espelho que me continha
e
tudo me roçava e tudo a meu lado passava
num desgaste lento de sensações
vazias
que
o tempo comia que o tempo trazia
enquanto o reflexo vazio se mantinha
nos
riscos que nele se cruzavam
sem
dele fazerem parte
cada vez mais fraco, cada vez mais fraco
mas
sempre vazio.
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