PONTOS DE VISTA
1
Se um homem cresce muito
vê mais longe
enquanto pisa o que não vê
indiferente.
Se um homem cresce pouco
não vê tão longe
mas consegue ver o que pisa
indiferente.
Ambos o fazem
e ambos o sabem
e ambos têm direitos e opiniões
que negam
aos que pisam.
2
Amanhece no carvalho que parecia
negro
e agora brilha com as cores da
luz
que não são as dele de certeza
tanto variam ao longo do dia
que se acaba
num entardecer de regresso
às funções básicas
ao desperdício constante
do lucro permanente de estar vivo.
As folhas caem e eu a todas piso
de não as sentir como a folha que
sou
ganhando as cores que parece ter
nas cores que constante perde
de terem sido as cores de tudo
de todos
e sempre de ninguém
tantas são as sensações
que todos podem sentir
de mãos abertas
como folhas de Outono
caídas
mortas
no frenesim de se renovarem.
3
Constantes perpassam as ilusões
de estar vivo
e de olhos fechados tudo tem a
razão
de um cansaço que nada pergunta.
Constantes perpassam as
desilusões de estar vivo
e de olhos abertos tudo ganha a
razão
de um cansaço sem respostas.
4
O que penso parece um cordão.
É de certeza
um cordão que se alonga
na brisa do que é sereno
e tantas vezes se rompe no
vendaval
que o desgasta.
Curto ou longo nem sempre há nós
que o agarrem à sequência
que por ele se desenrola
mas quando os há
parecem terços que pedem orações
desconhecidas
como preces aos tempos todos
aos tormentos e às venturas
desenroladas nas mãos
num ritual permanente
numa devoção constante
ao ritual de permanecer vivo
numa aventura constante
das venturas todas.
Eu viajo nas linhas da sua poesia.
ResponderEliminarDora Alice
Eu viajo nas linhas da sua poesia.
ResponderEliminarVocê tem que estar na próxima bienal.
Obrigado.
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