LUIS
1
A fé que salva pessoas
mas consegue esquecer
outras
poderá ter muitos nomes
ou atributos
mas no fim
é só sorte momentânea
acaso
ou dinheiro que permitiu adiar
o fim,
que é o fim dos milagres
o esgotar do tempo,
o acabar certo
de um viver incerto
mas com fim marcado.
Queria ter a sabedoria
de dissertar monocordicamente
os ditos
e os contos todos
da sabedoria popular
democráticos e sempre certos
como boatos que se fazem
a razão
de a terem,
mesmo que a não tenham
porque no fim
a razão
se faz
do que sobrou de razões
espalhadas a esmo
na prece dos conventos por erguer
na pressa de tudo serem momentos
de prece que passam sempre.
2
Tenho um enorme buraco fundo
de ser,
ser,
ser e não saber
o que me bate fundo
no vazio de ser
o que acontece
o que permanece
o que me aguenta,
de me aguentar.
O tempo não parou
na hora de o ter feito
e agora me arrasta entre tudo e nada
sem jeito
e sem ele.
3
Já passaram dez meses
tão pouco e tanto
se me esquecer
do que por esse Mundo
se passa
de tão pouco
e tanto
se o que constante penso
e passo
se enredar no novelo
que sinto
fazendo-se visão única
e constante.
Permanente visão.
Enredada de tanto
e tão pouco
e tanto.
4
Perspectiva
a minha, sempre a minha
numa visão que se fecha
e se alheia
do que vai caindo
e não interessa.
Parcial nas distancias
que se fazem distantes
ou não se afastam
na cisma
de esmiuçar a compreensão
que falhou
ou nunca houve
o entendimento que existiu
isolado
por ser diferente.
Tantas pedras
que para mim são paus
e nem me custa aceita-las
o que custa é aceitar sempre
dos paus
o sem remédio das doenças todas
das pedras
do espírito
das cabeças e das sentenças
que dos mesmos princípios
tão diferentes
erguem edifícios
em tudo semelhantes
a tudo
e tão diferentes
no percurso
percorrido
para que no fim
tudo seja igual
às pedras que são paus
e aos paus que são pedras.
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