TENDÊNCIAS
1
Somos como linhas que se tocam e se afastam.
um grupo de alunos parou,
eu tinha a máscara "não me chateiem" colocada
e mesmo assim,
de uma forma cativante,
não sei quantos me perguntaram
se eu era ,
o que tinha aparecido na televisão.
Varrendo folhas, relva e detritos,
numa dimensão de espaço e de tempo que não entendo,
olhei-os desfocados,
como se fossem um só,
depois acordei,
quando se destacou
um
do grupo
e me pediu para dizer um poema.
Sorri no fundo negro e frio que eles tinham iluminado
e tal como lhes poderia ter dito
que a Dobrada não se serve fria,
dei-lhes o meu blogue.
Somos linhas que se tocam e se afastam
e eles tocaram-me na pausa que me ofereceram
2
Tudo funciona no sentido do imprevisível,
unem-se linhas e pontos nas imagens que deveriam ser,
de cada segundo contado,
ou descontado,
a certeza e a incerteza,
das imagens serem sempre diferentes
das linhas e dos pontos que as deveriam criar iguais.
O que é sempre igual?
O tempo alheio de não ser pensado,
nunca
ou a pena que pesa sempre
de o tempo ser só para quem sente,
o trampolim que tudo ergue,
a barreira da lama, das ideias e dos vivos,
em cada segundo de haver vistas e mortos
que se afundam vivos,
que se arrastam rasteiras,
de serem sempre de um voo,
a ideia dele,
a noção dele e nada mais.
3
Tendências de estar e de ser,
acumulam-se no estômago das ideias,
na cabeça que as digere,
divertindo o jogo de sentir e o de pensar
inconsequente,
como se tudo fosse a insónia de viajar constante,
no conciliar de um sono permanente,
de não o ter.
4
Palavras como razão de nunca a ter,
flutuam certas,
no oceano que a todas afunda,
certas de o serem no tempo delas,
na razão delas,
no acabar delas,
no renovar delas em cada cabeça vazia que nelas pousa
e nelas se enche de um vazio que a permite repleta
e o tempo passa no entender de tudo,
a noção de um nada permanente,
que se afunda de navegar junto à costa
e assim fica,
repleto de mortos e desleixo
como vaidade antiga
no lixo recente.
5
Tenho a cabeça cheia
das coisas mais simples,
das insignificâncias,
das necessidades como camadas
que se acumulam,
de folhas e valores,
quentes de respirar ainda,
num equilíbrio do balanço constante de estar vivo,
como nadar até cansar,
como viver até morrer.
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