Escrever balões e as cores todas e os vazios todos para que alguém os preencha, num jogo de completar, num puzzle de nunca acabar.
Nascer já ensinado a não saber nada e depois nascer de novo e de novo morrer, num jogo de balanças, de pesos como vida e valores que saltam livres de um para outro prato, livres de o serem em tudo e depois nada e depois ainda, num permanente gozo perfeito, de cada momento sempre imperfeito.
O dia e depois o dia, um e depois outro e as noites acordadas no meio e as dormidas pelo meio, tudo normal em cada pedaço de tempo sempre neutro, marcado como se não o fosse, por curtas venturas, longas desventuras e um pano que arrasta tempo que se mistura, poeira de tempo entre marcas.
Uma gaveta repleta de papeis acumulados, os mais antigos dos anos vinte, o primeiro datado de 1932 e os últimos de 2012. Quantos mortos em resquícios do tempo naquela gaveta e quanto tempo na poeira do fundo, tempo ido desfeito em pó, sem pressa, morto a morto, vida a vida acumuladas como ninharias de terem sido tudo, no tempo que tudo desfaz.
Poeira luminosa de algumas vezes, poucas mas saborosas, poeira somente de quase sempre, triturada no ou pelo tempo, unidade de nada que parece valer tudo, na hora constante dos resquícios, na hora dos dedos sujos, arrastados valores do que fica sempre igual, arrastado valor do momento sempre perfeito de não ter sido ainda, ainda ou sempre por vir sempre.
El tiempo se desvanece mientras va convirtiendo todo en polvo o en recuerdos, todo va y todo viene, a veces parece todo igual pero cuando miramos atrás encontramos esos papeles que un día tuvieron valor y de ellos a veces rescatamos palabras para hacerlas presentes, entonces nos damos cuenta que todo es unir y venir constante en un cambio permanente.
ResponderEliminarUn abrazo, Jorge.
Um abraço e um muito obrigado, Mila.
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