De estar tão carregado de palavras fico sem elas, na hora das marcadas que demoram e depois findam.
Ontem uma linha fina de pressões acumuladas, escorreu como óleo de dedos e de línguas cansados, tudo se expressou no momento e os dedos voaram tocando cabeças despertas, enquanto as línguas secavam na aragem que é de todos e não é de ninguém, nos sonhos de haver e não haver sonhos, no despertar de os ter ainda, no acordar de tudo parecer bem, nos acordes suaves de uma guitarra e de uma voz capaz do mundo no silêncio entre palavras velhas que pareceram novas, tão novas.
Ontem a poesia rodeou-me e as explicações todas fizeram-se tão simples, que por momentos se acabaram as palavras todas e o bater do coração, o aperto na cabeça estonteada, explicavam tudo se o silêncio pleno conseguisse romper um só momento que fosse, de magia, de poesia, de a ter no lugar dela, viva dentro, em cada pedaço vivo, em cada pedaço morto de o coração bater ainda.
...e mais actos como estes necessários são, digo urgentes, porque o tempo tem que voltar a ser de quando no início era o verbo! Palavra inaugural e sem mácula de aqui estarmos, por aqui andarmos, sentidamente com sentido...
ResponderEliminar...de alguém para ninguém se faz de um deserto a travessia, no sentido de andar, trocar ideias e brincar às necessidades como actos de uma fé antiga de ser somente vida.
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