Poesia de todos os dias
constante fuga das trevas,
renascimento constante dos valores perdidos,
dos falsos e dos que não são
totalmente falsos,
dos que arrastam caminhos e escuras veredas no limiar de tudo,
fronteira de nada
e só buscam o perder que tudo encontra sempre.
As linhas,
dimensões de um espaço por findar,
encontram-se todas na cabeça de abrigo,
no horizonte que existe como dimensão
como espaço encerrado que a vastidão constante não consegue encerrar.
Espaços encerrados nas dimensões todas do sonho,
vazio que se enche de vazio na cor de ser sempre outro
o vazio que enche o vazio
e as cores de encher os sonhos
e os pesadelos vazios
leves sempre
enquanto dura o tempo de os ter.
Sons que preenchem,
sonhos que se unem ao sonho de acordar,
sons que persistem
e o vazio neles se alonga
de o ser e de não ser,
descascado,
descascado na busca dos ecos todos,
dos que houve e dos que ninguém ouviu
mas de certeza houve,
entre sons que o tempo abafou que os sons abafaram
de os haver e depois não.
O silêncio de sempre de nunca o ouvir
a presença de haver e depois não há
e as palavras parecem perder tudo
no que ganham de significados e silêncios.
Datas marcadas e depois este luto dos dias todos
este marcar de cada passada
na areia do tempo que escorre.
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