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segunda-feira, 18 de março de 2013

Vai e vem correndo sem fundo

De que são feitos os segundos?
Guardados como preciosos de nada ensinarem
ou de serem o fundamento
de tudo
fundo,
fundo enterrado como entulho que se deposita
camada a camada,
acamado como tempo perdido de ter sido tudo
e parecer as palavras todas
de as não ter,
de as não sentir
na hora de pintar o negro de negro,
o abstracto de ter as cores como conotações que se recusam
todas
ao Sol de querer ainda.

Sede de um poço que sobe
afundando sede, vontade e luz
numa espiral que sorve alheia e neutra
as sensações que nela se enrolam
e o que desce ou o que sobe
perde as contas às voltas enroladas
e de novo as desenrola
perdendo pontos e linhas e palavras
em tempo que de novo se desenrola camada
a camada,
perdido ou reencontrado num regresso ainda possível.

Sabores e feitios que desconheço instante a instante, de os pensar no meu olhar
de os tentar no de tudo olhar
um sentir um passar de segundos que sinto como de uma corrente pareço sentir o fundo que desconheço sempre,
de areia e pedras remoinhos e lodos que ficam sempre
arrastados depositados na memória que os quer arredar
e neles sempre encrava
de ser um cofre sempre guardado no cofre de ser,
de ser tão pouco nesta encruzilhada de sentir o Universo como segundos que se fecham
e da corrente seguem cursos que correm,
migalhas de um pão de ser sempre migalhas de uma fome inteira.


A espera deprime. Esta pressão dentro que alonga os pedaços todos. Bebo o refresco de pessoas maravilhosas, corto o tempo em fatias diferentes, pedaços marcados de vida e de morte, dentro e fora, meus e dos meus e de todos.

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