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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mãe.

A pensar na morte da bezerra, acodem-me os santos e demónios das palavras todas, o vazio de cada uma, o vazio do tempo que as enche vazias sempre. O cachimbo de Magritte, o grito de Munch, a orelha cortada de Van Gogh são palavras de terem as cores de milhões e vazias ainda assim, penduradas no tempo, de as ter ou de ter tido, de as ser ou de ter sido, as cores os momentos e as palavras, seres mutantes como malas vazias que se enchem na viagem,  transbordantes  do vazio que não se encontra, do pleno que não se abraça.
Parecem copos vazios quando nascem, depois enchem de líquidos e de sólidos, prenhes de sentidos e noções.
Mãe palavra que se reproduz em cada filho. Hoje estive com ela e por momentos, no curto espaço da minha vida, percorri as perdas e os reencontros dela na mãe dos meus filhos, na mãe da mãe dos meus filhos, na mãe da minha mãe e olhei o Mundo como um ventre repleto de vida e amor e cio e tudo, saciado ou por saciar, tudo como balões que a vida enche e a morte leva, vazios de serem tudo.

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