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Vagas num ritmo que não me pertence
envolvem o que penso
ou o que sinto de o pensar
ou o que penso de o sentir
envolvem o que sinto.
De um oceano de vagas ondulantes
que devolvem alterosas ou suavemente
os idos barcos perdidos aos pedaços
frios de momentos estilhaçados
se fazem de outrora os momentos de agora.
Perdidos e reencontrados nas vagarosas vagas
os tormentos divagam
e devagar os momentos se preenchem
de espaços de sonho e de pesadelo
que ainda assim sobram
do que fica vago
e nem as vagas que se enrolam devagar
ocupam o espaço que se mantém vago.
Vagas enroladas no ritmo delas
dividem sensações, permitem pensamentos
enrolam os momentos divididos
para que com dor tudo se una de novo
na separação que nunca houve
na dor que também morre
e tudo é sempre tão simples que dói de o ser.
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