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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Guardar os instantes emprestados

Falar do que se guarda lá no fundo
ou calar no fundo
o que se guarda
e só custa o preço de estar vivo.

Falar da minha mãe ou do meu filho,
do que passa e do que fica,
do" senta" repetido e eu sento
olhando dela o que me sinto de velho,
sentada e o meu filho deitado.

"Poemas em linha recta" dos dias todos,
todos os dias e a preguiça de estar vivo,
o calor e o frio das sensações que se calam
de guardadas.

Pontes caídas de atravessadas no calar o que mais custa.
Palavras e o perder delas em cada giz que se apaga,
em cada noção perdida,
em cada certeza incerta
no baloiçar dos momentos todos,
sentidos para de novo os perder,
frescos
renovados e guardados
e de novo perdidos.

Um dia chove e no outro também,
num há sossego e no outro não.
Dormir na chuva que embala,
acordar na que teima cair,
molhando o já molhado,
escorrendo pelos cantos,
formando riachos de saudades e barquinhos de afundar
no encharcar do papel.

Hoje tenho as soluções todas
de ontem
mas hoje não funcionam.


1 comentário:

  1. Os mortos lembram roupa,
    que vai ficando pendurada
    pelos cantos
    de ainda estar vivo
    e sempre mais nu,
    nesta pele dentro de não usar mais
    o que mais apetece
    perdido no tempo.

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