Falar do que se guarda lá no fundo
ou calar no fundo
o que se guarda
e só custa o preço de estar vivo.
Falar da minha mãe ou do meu filho,
do que passa e do que fica,
do" senta" repetido e eu sento
olhando dela o que me sinto de velho,
sentada e o meu filho deitado.
"Poemas em linha recta" dos dias todos,
todos os dias e a preguiça de estar vivo,
o calor e o frio das sensações que se calam
de guardadas.
Pontes caídas de atravessadas no calar o que mais custa.
Palavras e o perder delas em cada giz que se apaga,
em cada noção perdida,
em cada certeza incerta
no baloiçar dos momentos todos,
sentidos para de novo os perder,
frescos
renovados e guardados
e de novo perdidos.
Um dia chove e no outro também,
num há sossego e no outro não.
Dormir na chuva que embala,
acordar na que teima cair,
molhando o já molhado,
escorrendo pelos cantos,
formando riachos de saudades e barquinhos de afundar
no encharcar do papel.
Hoje tenho as soluções todas
de ontem
mas hoje não funcionam.
Os mortos lembram roupa,
ResponderEliminarque vai ficando pendurada
pelos cantos
de ainda estar vivo
e sempre mais nu,
nesta pele dentro de não usar mais
o que mais apetece
perdido no tempo.