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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Poesia como acto necessário



Chamo-me Jorge Braga e desde muito novo que aprendi a escrever como quem brinca e deita fora. Tinha catorze anos quando abordei Pessoa, a serio, pela primeira vez e pelo desvio Campos. Nunca guardei, durante muito tempo, as porcarias que de mim saíam, tão fracas e sem préstimo pareciam, quando as comparava com o sol.
Entre os vinte e seis e os vinte e oito, comecei a guardar e a sentir, como pingos dispersos, alguma qualidade nos alívios, desabafos que o papel recolhia. Da primeira escolha de textos de 86, até à quarta de 09, o meu filho Luís nasceu, cresceu e como bipolar não declarado, matou-se.
Descobri de a sentir, de a viver, a parábola do filho pródigo, no que regressou dele e agora com a mãe e o irmão eu tento preservar. Tive-o morto nos braços, regressou a casa para não morrer no Hospital e agora dentro das limitações do que para sempre se quebrou, está cheio de saúde e o bem-estar dele é o nosso oficio diário, a nossa paz, a fé da mãe que por ele abdicou de tanto.
Em dois mil e nove, o meu quarto livro extravasou a depressão dos conflitos que ele nos trazia, depois só senti morte e saudades de todos os maus momentos anteriores e passei a escrever, como quem vomita tudo e nada, para de novo redescobrir o que ganhei ou até perdi por não ter feito o que ele fez, na hora de o ter feito e que eu supunha ultrapassada.
Quase como um diário, contido e conotado ao que vivo e aos meus, vou sujando as ideias com a pretensão de as ter, vou coleccionando textos, entre música e livros, moedas e selos, amarrado que estou e porque o quero, aos meus.     

Jorge Manuel Braga

8 comentários:

  1. As miudezas que se acumulam
    tantas e tão juntas
    e todas
    só fazem uma unidade
    uma só
    que se perde
    facilmente.

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  2. Actos Necessários e agora Negro Luminoso e o que vem é sempre melhor
    no seu tempo, no seu ainda, de haver sempre enquanto dura, o tempo de ser
    virgem sempre e durar ainda e nunca repetido,

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  3. Voltar ao inicío, de um livro, de um blog, de um marco datado e sentir o que muda e o que nunca muda de estar vivo dentro, dentro do sentir, do viver aos poucos, rasurando sempre o que não muda nem se apaga, de estar fechado no hermético perfeito.

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  4. Perder un hijo supongo que es algo muy duro. Ánimo con esa poesía que escribes. Un saludo, Jorge.

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  5. No entiendo ,por qué, si yo escribo una palabras, salen otras . Ejemplo:¿ Qué profunda y yo,Aun en alcanzo por el GENIO ONU eso ser como tú. Saludos Jorge Bragas . Dime algo .Si es que has entendido .

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  6. As palavras brotam
    de correntes límpidas
    transparentes
    para poder ver a cor
    sempre
    do fundo
    interior de ser o estremecido
    das palavras cores, sensações
    que mudam e transformam
    derretem e moldam
    as
    palavras de as ter vivido
    sentido e agarrado
    de nelas crescer
    de crescerem comigo.

    Escrevo sempre ao vivo
    faço pausas de transformar turbilhões
    em suaves Brisas, que envio seladas
    que recolho coloridas













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  7. Este texto contém as verdades, minhas, de as ter sentido, ainda e agora.
    As verdades de fazer Poesia como espelho do que sinto e vejo.

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