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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

PRECURSOS DOS PERCURSOS



38
Tento o equilíbrio de andar
sempre desequilibrado.

O que vejo e o que entendo
são do que quero
as parcelas que posso.

O prato da vida nunca esgota
as sensações
e as gotas que no copo ficam
eram as melhores e sobraram.

Marcantes se querem os momentos
que marcam o tempo sempre igual
para que não pareça que o é.

De negro e branco se revestem os encontros
de dor e prazer, de riso e de choro.

De abraços se fazem os passos
e os tropeções, de uma pressa inexistente,
resumem tudo
ao tempo que passa indiferente
arrumando imparcial
os que sentem e os que pensam sentir
no paraíso das sensações perdidas.


PRECURSOS DOS PERCURSOS




4
Comi lá duas vezes
serviam mal e cobravam caro
depois fechou.
Comi lá muitas vezes
serviam bem e cobravam pouco
depois fechou.

Foi assim que.

Assim eu aceitei a multa de ter cão
no receio da multa
por não ter cão.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

7 ELEMENTOS DO ESPIRITO.




16
Terra fértil e negra
que eu remexo
misturo e desfaço
na procura do que a compõe
e a faz tão negra e tão fértil.
Não procuro os cristais
que já perdeu
mas da areia fina
e dos restos vegetais
eu sujo as mãos
limpando o espírito
de o ocupar de terra negra e fértil
que remexo
bloqueando azias
que a nada levam
e na terra se perdem todas.

7 ELEMENTOS DO ESPIRITO.




6
São tão pequenos,
frágeis e emaranhados
os pedaços pequenos,
os frágeis elementos
que juntos e sem que me aperceba
propiciam a disposição do momento
inconsciente.

O bom ou mau espírito
que oscila no ritmo
das vagas como brisas,
trituradoras do tempo
inconsciente.

Do sorriso que faltou,
ou até aconteceu
da pedra solta tropeçada,
dos segundos escassos de atraso
do levantar ao deitar
e o antes e o depois.
São milhões de pequenas parcelas,
condições
que fazem o arranjo desta melodia
em que eu sou de certeza
a parte mais pequena
mas também a mais importante
perdido nos sons
que gostaria de identificar
um por um,
de serem meus
consciente.



domingo, 3 de fevereiro de 2013

6 MOMENTOS




22
Embebedo-me com as palavras
nunca as consigo encher
nunca as consigo vazar.
Aguardam pelas cores do dia e da noite
pelo aroma
do riso e do choro aguardam
como copos que toco, que esvazio
na cor dos momentos
para que se façam sagrados
ou profanos
na cor dos momentos que passam.

Há dias de elefantes cor-de-rosa
e há outros de religioso silêncio
enquanto as palavras brotam sem cessar
como se fosse delas o sentir
que eu retardado esqueci,
no que finjo de palavras
que por mim passam de momentos sentidos
e por mim sentem.


6 MOMENTOS





10
Vagas num ritmo que não me pertence
envolvem o que penso
ou o que sinto de o pensar
ou o que penso de o sentir
envolvem o que sinto.

De um oceano de vagas ondulantes
que devolvem alterosas ou suavemente
os idos barcos perdidos aos pedaços
frios de momentos estilhaçados
se fazem de outrora os momentos de agora.

Perdidos e reencontrados nas vagarosas vagas
os tormentos divagam
e devagar os momentos se preenchem
de espaços de sonho e de pesadelo
que ainda assim sobram
do que fica vago
e nem as vagas que se enrolam devagar
ocupam o espaço que se mantém vago.

Vagas enroladas no ritmo delas
dividem sensações, permitem pensamentos
enrolam os momentos divididos
para que com dor tudo se una de novo
na separação que nunca houve
na dor que também morre
e tudo é sempre tão simples que dói de o ser.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mãe.

A pensar na morte da bezerra, acodem-me os santos e demónios das palavras todas, o vazio de cada uma, o vazio do tempo que as enche vazias sempre. O cachimbo de Magritte, o grito de Munch, a orelha cortada de Van Gogh são palavras de terem as cores de milhões e vazias ainda assim, penduradas no tempo, de as ter ou de ter tido, de as ser ou de ter sido, as cores os momentos e as palavras, seres mutantes como malas vazias que se enchem na viagem,  transbordantes  do vazio que não se encontra, do pleno que não se abraça.
Parecem copos vazios quando nascem, depois enchem de líquidos e de sólidos, prenhes de sentidos e noções.
Mãe palavra que se reproduz em cada filho. Hoje estive com ela e por momentos, no curto espaço da minha vida, percorri as perdas e os reencontros dela na mãe dos meus filhos, na mãe da mãe dos meus filhos, na mãe da minha mãe e olhei o Mundo como um ventre repleto de vida e amor e cio e tudo, saciado ou por saciar, tudo como balões que a vida enche e a morte leva, vazios de serem tudo.