Translate
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Do 13 para o 14.
Ouço repetidamente musica
de pessoas mortas
leio repetidamente livros
de gente morta
escrevo e penso
por mortos
que parecem prolongar
o que foram
na vida
de eu a manter
ainda.
Afunilam as noções do que é belo
e do que é feio
do que dispensa etiquetas
e se perde livre.
Ensinado a não saber nada
por cada um
e por todos.
Um de cada vez
criando espaço e formas
que os vazios preenchem
de cores
e formatos novos
em cada escorregar de sensação
em cada vazio de o ser
por parecer sempre
um ladrar de não haver cão.
Parecem afunilar os momentos
todos
acabados em cada bocado
que se perde no vazio de acabar
no recomeço de um novo dia tardio
em cada morto
de o ser nos que ficam
afunilados
presos ao que fica
deles
ao morto, que nem o sabe
nem se importa
mais.
Ano de mortos
ano de vivos.
Ano somente de ser tempo
que se enrola e se faz diferente
pelos que nele se enrolam.
Afunilam os sentimentos todos
os baratos e os que custam
os de nem falar de andarem sempre
comigo
como carimbos que pesam
as recordações todas
e o que não volta
enrolado noutra volta.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário