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domingo, 2 de dezembro de 2012

Araújo e Rosinha

As voltas que são dadas para se voltar à mesma volta,
de nunca ser a mesma,
nas voltas e mais voltas que se dão,
enrolando do rabo a cabeça e o sol de ir no de voltar,
folha a folha no engrossar das voltas,
que a cabeça derrama no acumular de voltas.

Circuitos de testar,
testar sempre as soluções de estourar sempre,
mais volta menos volta,
de ver e de ouvir os ecos de fora,
entendendo deles os de dentro,
ecos como cartas que calham,
sorte da sorte de um azar que ainda não veio.

Ontem olhei longamente a dádiva de ser boa, dar numa oferta descomprometida, dar numa volta longa que nunca se perde, as voltas todas de uma vida de sacrificios. Ontem olhei da minha sogra o pai dela, subindo e descendo colinas, tocando os sinos de dar paz aos vivos e descanso aos mortos, de olhos piscos, assobiando baixinho o sossego como comida que nem todos podem. 
Ontem todos pareciam ter as qualidades dos pais, os mortos não guardam defeitos, a Jacinta a ver de todos a parte boa que quase todos desconhecem, o Luís na constante preocupação de fazer bem e de sentir que todos estão bem. Todos pareciam no dia dos pais, pedaços deles que na mesa se impunham vivos, os melhores pedaços, os anos, as recordações neles depositadas que viviam ainda.

Mas ela, ela é magnifica e ontem no entrelaçar de voltas que dão voltas, olhando, olhando dei voltas e mais voltas e nunca me senti perdido, nem desorientado, naquele ruido todo senti o sossego todo por instantes.         

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