Como se produz o silêncio
calando ou deixando correr
sons mudos
quietos silêncios
escapando-se
vivos, interrogativos, linhas
que se enredam como teias
de captar miudezas, belezas que o tempo enreda
pequenas coisas, como pequenos amores
de os sentir a todos
como grandes coisas, como grandes amores.
Silêncio
olho o meu filho, sereno e quieto
e sem que eu o queira
olho o revirar cego dos olhos belos
o tombar da cabeça para o meu lado.
Quebro o silêncio no som de estarmos vivos
em cada afago que me afago
de lhe pertencer.
O vazio das palavras, estrelas que ocorrem
vazio de existir
que enche silencioso
em cada palavra que marca
cada estrela
luzindo
e o vazio depois, sem palavras, repleto contudo
de ser caminho de estrelas, vazio de estar lá
repleto como caminho e haver estrelas.
De estar lá, de sentir, de estar...
Olho os meus
no silêncio de os sentir
sem palavras.
Infinito de pequenas coisas, que se fazem tudo
no despertar de olhar, olhar de novo
e sentir a grandeza de cada coisa pequena
guardada e polida como tesouro
de o sentir com spleen, sem spleen
somente com vida.
Teimo repetir o que nunca se repete
tento sentir o que nunca sinto
e aprendo a ser o que sou
no que não sou
em cada erro que se repete
e nem o sinto repetido.
Momentos de lhes sentir o peso
e a morte de cada um.
Momentos de os sentir voar
vivos um por um.
Sentir dos dias que nascem
as noites que começam
a luz que percorre os sonhos
dando cor
ao escuro
de sentir o tempo.
Voando nas nuvens que escapam
sempre
sonhando nas estrelas que brilham
sempre
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