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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

16 Cristal


18

Viver um dia de cada vez

como se os dias fossem unidades estanques

aglutinando sentimentos

em cada pedaço, em cada dia

em cada devaneio, em cada peça

que se faz um dia, a seguir a outro

e antes do que se segue

numa construção, o mais linear possível

para que as peças se ergam

parecendo só uma

no tapar do sol

no alongar da sombra

de um dia e mais outro e logo a seguir

ainda outro

num recreio, de os haver

ainda.
 
 
 
As recordações são do que passa, os temperos todos, o proveito nem sempre doce mas guardado no recanto dele, no proveito de as sentir ainda, um dia de cada vez. O ter a cabeça repleta  de morte é viver ainda e não ter palavras que me permitam sentir o que sou, neste findar de ano, neste findar do ano em que morreu a minha mãe.
 
 

2 comentários:

  1. O tempo como fio que se desenrola sempre
    e rolando sempre
    vai soltando novelos
    do que se quebra sempre.

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  2. Circundar sensações
    tentar momentos de os querer estanques
    no aguardar da perfeição quieta

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