Translate

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Miudezas

Tenho a cabeça cheia das coisas mais simples, das insignificâncias, das necessidades como camadas, que se acumulam, pintadas de folhas e valores, quentes de respirar ainda, num equilíbrio, de um balanço constante, de estar vivo, como nadar até cansar, como viver até morrer.
Saudar a vida, estilhaçando copos, de costas voltadas, sem zanga, em cada estilhaçar imperfeito, de brilhos idos, que se acumulam, brilhos desunidos de serem de um caminho, as marcas e o caminho.
Miudezas como sorrisos e a falta deles, no silêncio, dos sons prolongados, só na cabeça.
Variações e fuga, das palavras e do som de cada letra, desmanchar como gado, o peso de cada palavra, de cada som. Absorver da praia inteira, o som, de cada grão, de areia.
Repetir, repetir a miudeza de cada som que pertence, abstrair sentidos e noções, de cada peso, de cada som que se repete e se faz leve, perdido das conotações que por ele, nele, se afundam entranhadas no tempo, ou com tempo obsessivo.
Pedaços desmanchados que não voltam a ser o todo e pesam só, tudo, miudeza a miudeza. Sons como badalos de um fim de tarde ou de fim tarde.
Tirar de cada palavra o peso que acumulou, poeiras e besteiras e tempo e gente, que acontece, que desaparece.
Pensamentos como luzes que se apagam, de se terem acendido, nos motivos todos, apagados.

Ahmadinejad e o HOLOCAUSTO que não houve, as barbies proibidas e o peso das lapides, lapidadas, executadas na leveza de haver nuvens roubadas, no Pais dos sonhos todos, dos contos ditados e ditadores.
Aqui a crise, permite esquecer a Síria e os eleitos, democraticamente, roubaram ou desviaram, arranjaram ou desmancharam, com a sabedoria de haver sempre, por pagar, uma conta de muitas contas, que irão ser pagas, por quem não comeu, nem cheirou.

O peso das palavras.


14 Dependências




7
De cada miudeza esmiuçar
o que a fez
o que dela se uniu
transpondo tempo e vontades
dando-lhe a grandeza
de permanecer.

De cada dedo sentir a mão toda
de cada olhar as visões guardadas
para que as trevas se possam romper
na altura certa das certezas pequeninas
que juntas permitem o respirar
de valer a pena.


Sem comentários:

Enviar um comentário