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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pessoas normais

Olho e ouço, no rosto de pessoas normais, os sinais e as palavras de revolta, a impotência do que passa como inevitável.
Depois há soluções radicais, justiça que se atira ao vento, esperando que caia, só, o que é mau.
Matam-se os maus e disciplina mas o vento atinge todos e quando se abre um caminho é de todos, o caminho, que se abre e os normais não são linhas direitas de comportamento, oscilam como partes de um corpo vivo que estremece e oscila, no embalo de cada crise, no terem sido normais, todos os canalhas e todas as vitimas, sucedidas ou por suceder, nascidos e mortos.
Normal a justiça célere que executa e não permite recursos, normal os isaltinos que prescrevem, ou os papeis que se afundam como submarinos.
O melhor de uma ditadura, o melhor da Democracia, numa Utopia sem cepo nem machado.
Normais as purgas todas, soviéticas ou chinesas, alemãs ou americanas, as justiças todas como um enorme corpo, país a país, estado a estado, lei a lei, juiz a juiz e condenado a condenado de terem sido permitidos, no silêncio que consente.
Hans e Sophie Scholl, Stalin e Hitler e as correntes que arrastam infinitas e violentas, ou mansas e tão breves, o passar do tempo, o arrastar dos sedimentos, das cores das crises, desta maleita sem fim, de ser gota, num oceano, por diluir.
Encher de areia, frascos de segundos que se partem e todos são diferentes, areia grão a grão, escorrendo, uma a uma, diferente em cada montículo, que o tempo espalha, varrendo e arrastando entre vidros finos, no perdurar de qualidades e defeitos, longos, em cada frasco por partir, em cada pedaço igual por cair.
Holocausto, Holodomor erguem-se como picos à insanidade, de milhões de pessoas normais, ideologias e poder e muitos Breivyk obedientes.......

8 Precursos dos percursos

13
Um copo cheio de areia
é o que pareço ser
pesquisando o que sou
nos greirinhos finos
de um desgaste que não é meu.

Remexo procurando um padrão
nas cores e nas formas 
da areia fina
que a mais leve brisa me desarruma
arrumando de outra forma
as cores e as formas que sem pressa
num desgaste que nem é meu
vão desaparecendo nos cantos
e nos recantos
perdidos do sol
devagarinho

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