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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

exemplos

Tenho um novelo na cabeça, repleto de pontas unidas, pego numa e logo noutra e todas vão dar ao mesmo sentido, de fim, por vias tão diferentes, quase sempre curtas e enrodilhadas, de serem linhas, sensações repetidas, quase ao infinito, de inícios, durantes e fins.
Ouço repetido, num compasso de crise, vontades de um regresso a 26 de Dezembro de 1867. Ordenar, disciplinar e dar exemplos, cortar pela raiz o mal, que a todos pertence, que é de todos, pelos cantos de todos, pelos cantos todos.
Regresso aos dezoito anos, ao juízo de valores, ao tentar sentir as pontas enrodilhadas pelos cantos escuros, pelas razões mais irracionais, que se erguem racionais, nos momentos sempre errados, de estarem sempre certos na estante cheia, de poeira, de livros e de mortos.
Matar o que está errado, nesta permanente imperfeição, neste enrodilhado de certezas como pó, neste aperfeiçoar de um erro sublime em cada vida que nasce. Nunca soube o que é fé, sempre me disseram para acreditar, abrir o coração ao raio, ao vento, ao trovão já eu o fiz e foi vida, só vida em todas as formas, desperdiçada sempre, que eu encontrei em todos os cantos, na rodilha do tempo sempre igual, enquanto parece diferente, o tudo e o nada, de pontas diferentes, desenroladas ao jeito de cada ponta que é sempre diferente.
Encontrei na net uma lista de mulheres alemãs executadas, uma lista curta, dos exemplos mais marcantes, negros de bruxas queimadas, negros do terror Nazi. Três nomes me ficaram guardados na cabeça, melodiosos, Irma Grese, Sophie Scholl e Maria Mandel. Conheço um dos nomes, com o irmão, desde os dezoito anos, na hora dos Napoleões e Romel, terem ganho os mortos todos, de cada  glorioso esvoaçar. Os outros dois são mais recentes, pontos mais negros do que o pano negro de servilismo e morte a que pertenceram.
Das três, duas foram despachadas com a mesma idade, uma foi heroína e das três há os nomes numa lista.
O poder da morte, nas mãos do que já nasce errado e depois fazem-se listas e todas se enchem de razão e todas são válidas para crentes e descrentes.
A fé não se explica, sente-se, balbucia razões tão fundas, novelos tão vastos, que as pontas partem enredadas, de fé, de cada um. Só acredito em vida, na vida de todos, mesmo quando tenho vontade, de ver mortos tantos canalhas, pessoas normais adulteradas, pelo tempo, pelas circunstâncias, ou por ínfimas diferenças, no faiscar das ideias, que raramente o são.
Hoje encontrei uma pessoa disposta a ser juiz, acusador e executor. Não me deu vontade de rir e não vale a pena demover ideias, como balões cheios, que ocupam o espaço todo, delas. Fui acusado de não gostar de touradas, um defeito enorme e foi assim que eu consegui rir, da cabeça cheia de novelos emaranhados, tolices e consciência de sentir a vida, como poesia e o perder de ambas, constante.
Jugoslavias e Somalias e o Mundo inteiro.
          
A chuva e a morte, não vale a pena pedi-las, podem tardar mas todos se molham e todos morrem.


18 Coerência

Pena de morte e os sinais de crise
nas cabeças
que a pedem mais,
como solução de quem e de ninguém.
As acções vivas valem pouco
quase nada
e a vida toda de valer tão pouco
é tudo, sempre tudo
no resumo de a perder.








2 comentários:

  1. O sentido é sempre o mesmo
    é o sentido de tudo
    é o sentido todo......

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  2. Antes, entretanto e depois neste sentido de tempo, de valores, de perder e de ganhar o sentido que se esgota sempre...

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