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terça-feira, 30 de março de 2021

A incerteza do tempo certo.

 O tempo marca ao sabor de nada, 

as datas todas que se fazem tudo, 

um passo a menos, 

um passo a mais, 

neste girar de sensações se fazem as voltas, 

de as ter dentro e fora 

das passadas de nascer e ainda permanecer


Outono e Primavera neste cair e depois erguer

ter a melodia de hoje neste Inverno de ontem

saborear o calor deste estio de amor e dor

como mais e como menos

passos a dar, passos por dar


leves como inspirar beleza nos recantos mais feios

levemente se marcam momentos

no circulo mutante de cada um...mês a mês...ano a ano

acrescentando sensações, descontando tempo

acrescentando tempo, descontando sensações


Palavras como gente, gente como cor de correr e escorrer

rios de sensações, riachos de emoções

medindo cada instante, cada gota, cada areia do infinito que passa indiferente

pela mão que se deixa percorrer no perder de cada instante

luz que se encontra na sombra sempre à frente


das datas marcadas se fazem as recordações...momentos quietos

recuperados como ecos, livros relidos de sempre novos

de haver passos por sonhar ainda, paisagens que o horizonte procura...

ainda

em cada segundo de saciar ainda


confinado ou navegando, consigo ainda as velas brancas 

ardentes de um pôr do sol permanente

o silêncio do nascer de cada instante

da Poesia que nenhum papel guarda

da melodia que nenhum papel toca

navegando confinada a este curto infinito, neste estreito universo

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

2020 nem foi mau

De 2020 que ainda não acabou, retenho as linhas e as cores de o manter ainda, 

nos dias que ainda tenho, nos dias que agora tenho, 

desconto os dias de serem mais um, na soma dos dias de os sentir a menos


este hábito longo de os viver um a um

limita a visão mas permite sentir o sonho de cada pedaço

um a um


o meu Luís regressou a casa para connosco morrer

e  de novo se recusou


o meu neto nasceu maravilhoso

luz e cor dos nossos passos

e

2020 ainda não acabou

nos dias que me pareceram mais um

nos dias que me pareceram menos um


mascarados ou amedrontados pela incerteza que para todos é certa

prolongamos vontades

ou a falta delas

neste escorregar no gelo da incerteza


um a um aproveitando de cada um

cada gota deste copo...........................



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

A morte de cada instante

 Sonhos controlados

ainda assim navegam

confinados

ao circulo que a âncora permite

de infinito em cada elo, da corrente de a ter dentro


a vastidão de um sonho que cresce 

no espaço entre duas orelhas

atrás dos olhos que se fecham

miasmas de vírus apreendidos

aprendidos

ensinam e conservam e fazem este sonho

de sonhar todos os dias

a noção de a não ter

o sentido encontrado nas passadas

perdidas


do tempo que não passa tenho a soma do que passou

o extremo de parecer lento

o extremo de parecer que voa

e assim passa sem perguntas nem respostas

e no mesmo ano de ter tido o meu lindo neto

o meu Luís regressou a casa para se ir connosco

e de novo sobreviveu

e no mundo e cá a pandemia descontrolada ria

da nossa pequenez, vastas ilusões que uma agulha fura

enquanto não se adapta à nossa pequenez

a vastidão de um vírus

ou vice versa deste sonho de viver, enquanto se morre instante a instante

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

momentos embaciados

 Atípicos se fazem estes passos

momentos como espelhos sem reflexos

luz que escurece lenta sem amanhecer

tudo é feito para ser diferente

e muito ou pouco, neste alheamento, se nota ou nem se nota

o passar das diferenças


confinamento sem pontos finais que fecham estanques

o que ainda não se fechou, de hábitos velhos, nesta mascarada envelhecida

e o tempo passa satisfeito na saudade de passar

ainda

como quem brinca ao sentimento

de o esconder confinado

de o trazer leve, passeando momentos leves

importantes de nunca o serem, para poderem ser mais

muito mais

sempre

depois

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Ainda

no tempo que passa

se fazem as marcas

de um antes

de um depois

constantes

morte e vida como luz e como sombra dos dias

marcam fronteiras no tempo

dividem momentos que se prolongam longos

neste curto suspiro de sonhar o infinito

no patamar de estar vivo

ainda

sábado, 26 de setembro de 2020

?Tempo ou momento

Argila por moldar
folha branca por rascunhar
traços de passos que se alongam
e ficam sempre por apanhar

as estórias contam-se no tempo
como pinceladas moldadas, num passeio branco
pintado em cada passo
em cada nó que o tempo prende
e também corta

cores diluídas no tempo transparente

miudezas tombando como folhas de um outono constante
escrevendo tempo nas folhas que se acumulam
brancas de se desfazerem como segundos

tempo como areia no sapato
que irrita mas não se tira
e de tanto andar com ela
de tanto se irritar
com ela
nunca se tira
para sempre com ela
sempre
até ser parte dela

ou do sapato gasto de andar
no tempo, ao tempo e com tempo
nas passadas de quem as fez
pintadas por momentos.

domingo, 9 de agosto de 2020

...faltam sempre...

Preciso da porta fechada
para poder abrir a porta

preciso da porta aberta
para poder fechar a porta

o interior feio da beleza
a beleza do exterior feio

preciso da luz para poder sentir a escuridão

e as palavras fazem-se imensas
para sentir as que faltam sempre

só acompanhado de multidões
repetindo gestos que nunca se repetem

professando a religião de estar vivo
de ser mais um
que aprende
no altar da morte a volúpia de estar vivo