Translate

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

VerTer.


A luz de dentro cega a de fora
a de ver tudo e não ver nada.

O escuro de ser
permite ver tudo
o que muda e o que persiste
no acordar e no dormir acordado
enumerando migalhas
do pão já comido.

A luz de dentro cega a de fora
a de ver tudo e não ver nada.

Areia que o vento espalha
de nem a ver
de haver ainda
pedaços por desfazer
e valer a pena.

A luz de dentro cega a de fora
a de ver tudo e não ver nada.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Mudanças.


Quando algo não está bem
muda-se
quando não se pode mudar
aguenta-se.

Pausas de refazer para que de novo se faça
o correr dos segundos
como fitas de obras que se prolongam
ao tempo
ao Sol, à chuva
e acabam
e recomeçam na lama
na poeira
dos instantes sempre curtos
sempre bons
de morrerem ainda
um a um
ainda e bons.




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

13 Pontos de Vista.



13
Se um dia tudo parece correr
e no outro só passa
no arrastar lento dos remos que repousam
como lemes de uma deriva só deles
ainda assim há rumos que ficam traçados
como pontos que se preenchem
de ponto a ponto
no sentido sempre certo
da necessidade e do esforço
e do tempo abençoado
de o haver ainda.

12 A B C.



38
O farelo do serrote
já não é madeira.

O afago suave de todos os dias
é do amor a manutenção
o preservar do que ainda há
e o tempo consolidou.

Nas âncoras da dor e do prazer
mais na primeira, muito mais
se amarram afectos
criam-se sentimentos duradouros
de chamuscados e enrijecidos.

O farelo do serrote
já não é madeira
mas foi.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

11 Papel Branco.



22
É nos patamares que me são permitidos
nos limites dos pulmões
e das pernas
que eu paro e a cabeça voa
na busca do que não há
para que haja
no pensamento que se desliga
o ligar de um caminho
que só de o pensar se concretiza
numa procura sem fim
que se satisfaz de o ser
no meio de tudo
na procura de nada
na procura só
de nada.

domingo, 1 de dezembro de 2013

As cores dispostas.

Hoje vejo pessoas
e as cores
como cubos de Rubyk
faces de uma só cor
e das cores todas
misturadas.

O sentido da cor dilui-se
alonga-se e encurta nas cores dispostas no tempo
no brilho que as perde
no brilho que recupera
a parte que se ganha, na parte que se perde
em cada cor, em cada olhar.

As cores mudam em cada olhar
de nunca serem as mesmas
dispostas em cada olhar
em cada rodar de um cubo multifacetado
de ter as cores todas
dispostas e indispostas
em cada olhar, em cada cegueira
de olhar sempre o lado
dentro
o lado fora
do espelho das coisas todas.

Rodam as cores de cada olhar
e são sempre certos
os momentos e as cores
que rodam sempre certos.