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O espaço não conta
e o tempo de o ter ainda menos.
Tudo parece ter sido
o sorteio de um degrau partido
a queda inevitável
num jogo giro, escondido.
Vai-se sujando a parada vasta
que a todos calha.
Há quem limpe
e há quem não o faça
nunca.
Uns limpam varrendo
e juntando pequenos montes
que depois apanham
um por um
enquanto outros arrastam
e só apanham
quando a vassoura que os varre
se verga ao peso do recordado
para que assim
se ajunte dos cantos
um pedaço dos cantos todos.
As cores assim unidas
de arrastadas
dos momentos se fazem
coloridos momentos
como riso de crianças,
como ventre de esperanças e desejo
como satisfações simples
que a cabeça nem guarda
de serem dela o lubrificante
que só falta quando emperra
na falta dele.
Arrastar as cores todas
de um arco-íris desencontrado
do branco
que se busca,
como busca de um grall palpitante
de cada um
e de ninguém
tanto é de todos
que tudo o abraça e nada lhe deixa.
Branco que se divide,
na brancura de tudo ser branco
branco que se perde ofuscante
de permanecer ainda mais branco.
Branco que houve, ou não houve
varrido ou desmanchado
no escalpelar de sensações
dos momentos que se fazem curtos
de se fazerem sempre brancos
sempre.
Ficam sempre brancas
as paradas todas
curtas ou longas, grandes ou pequenas
todas se agigantam iguais
e do que arrastou ao que nem varreu
se faz a brancura toda
da igualdade
do fim.
Um suspiro longo
e a brancura toda
depois.
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