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terça-feira, 17 de abril de 2012

Não há tempo?

Eu sempre o tive, nunca me faltou tempo, circulo nele e a cada circulo que se fecha, retomo o caminho, de o ter ainda. Tempo como empréstimo, de ainda haver crédito, de ter crise na cabeça, desde sempre. Balança de um equilíbrio de tolos, tolices que rasgam, tolices que assentam, a poeira do caminho e o rasgar da vontade, que rosna o tempo, de o ter ainda, sempre encontrado, de o haver ainda.
Estou vivo e o resto é uma paisagem que se alonga, das janelas que a permitem, das rodas velozes, desenroladas na paisagem que se avista, trepidantes de um destino que parece não o ter.
Túneis que encerram momentos, tempos de ver mais, por dentro, para dentro, como luz, de ser mais forte, de não a ter, por momentos.
Clareando ou chovendo, luz ou chuva, trepidante regressa o que não partiu, das janelas, que se abrem à fuligem,  aos aromas, como tempos de abundância, calhados ou desencalhados, de um tempo que parecia não os permitir, repetido ou repetitivo, de o ter ainda, numa benção amarga, por vezes, no paladar dos sabores todos, dos possíveis, do tempo, de o ter e de ser.
O que se avista, parece melhor, a chuva mansa, os sons e o que são, de serem avistados como panos desenrolados, de uma cor que o sonho precede sempre, esbatida num feitio que não se usa e contudo, parece sempre, o melhor.
Delírios que só o tempo permite, de o ter todo, sempre inteiro, delirante.
Depois, no depois é o tempo de não ter tempo.

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