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quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

O dia todo, todos os dias

 Mais um ano que passou


voando ou


pintando os segundos, na cor de cada um,

na tela branca e neutra que acolhe indiferente

o tempo de cada um, os momentos diferentes

perdidos

indiferentes.


O gosto e o desgosto, alegria e tristeza, morte e vida.


O meu Luís morreu e eu desconheço a cor da morte

não consigo pintar de negro, as recordações que ainda vivem,

nem de roxo, tantas são as cores do amor, da união que fortalece na tristeza,

nos que ficam, nos que permanecem...


Das recordações que ficam, guardadas, preciosas

fica sempre o sabor das que não houve, amargas, perdidas.


O tempo é um silêncio que o coração arranha

batendo descontrolado

é uma tela branca que se deixa pintar, sempre branca

para quem a pinta.


Sons encerrados que ao tempo, ou no tempo se soltam

Bach dos momentos todos, Brahms de os sentir a todos, Beethoven das sensações todas

dando infinito aos segundos, eternidade ao efémero e noções perdidas em cada encontro.


Encontros como viagens de ir, de acabar

fitas desenroladas com a cor de cada encontro, arco-íris de estar vivo

de unir arcos, arco a arco nesta ponte de estar vivo.


A melodia do meu filho acabou, não há partituras que a devolvam

há este continuar no que fica, no que se ganha permanecendo

e assim ganhei

uma filha como um sonho, um neto que ilumina os momentos

com a presença palradora, alegre ou birrento, mas sempre lindo.


O jogo continua enquanto os jogadores mudam, um a um

no jogo de cada um

das pontes que acabam se fazem as que continuam

neste jogo de ler o mesmo texto, o dia todo, todos os dias

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