5
No sonho sou sempre criança
e há doces
e o armário é alto
e eles estão lá
e eu não lhes chego.
6
As musas já findaram
o que fizeram já não fazem
em doentias palavras de fastios
individuais enforcadas
em estrume de tantas mortes
inúteis sufocadas
acabaram.
Delas resta no espírito de quem
não as tem
a morta recordação
que sem desejo de as ter as
deseja
enquanto visões impossíveis cegam
quem as persegue e nada consegue.
7
Sinto sem sobressaltos o que
sinto.
Dolentes me sossegam sensações
que me embalam como se fossem
minhas
e me aceitam.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto
fugindo dos cumes que não me
erguem
ou das fossas que não me
enterram.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto
enquanto metamorfoses que nunca
sonhei
me fazem igual a tudo mais igual
que tudo.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto.
8
Afogo-me em falhanços
que cioso resguardo
e sereno me mantenho
enquanto procuro água
no deserto em que vivo
e sem que me afogue sobrevivo
sem sede
ao morto que arrasto comigo.
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