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Todas as palavras são ovelhas perdidas
de um redil sem pastor, de um cão sem dono
todas anseiam o rebanho que lhes dê sentido
o viver que as faça morrer
o sentido que as faça pertencer
ao que nem sabem de permissões e sentidos
que com elas se erguem vivos
e com elas tombam concretizados.
Depois da TABACARIA escrever
é o tentar que já foi feito.
Sou sublime, na minha dimensão, de tentar arrumar
o que para sempre se desarrumou na ordem certa
de um Universo possível.
Remexo constante os pedaços que sou
procurando sempre os condimentos que ainda não provei
e me dão o sabor do que por mim passa.
As palavras todas
permitem sublimar a dor de estar vivo
na felicidade de estar vivo
como se tudo fosse um jogo de aparências
e todas se encaminhassem para o mesmo concreto
impalpável concreto
que tudo resume a pouco e nada permite subsistir.
Multiplicam-se os reflexos estilhaçados
alheios dos espelhos que permanecem
imparciais e coerentes
no darem mas nunca completamente.
Ondulam as bandeiras lá no alto
e não há meia haste, todas são sim
para todas poderem ser não.
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