A 2 de Março vão ser 29 anos de vida em comum com a Ana Paula, minha esposa, mãe dos meus filhos e paciente apoio de tantas horas más, companhia de tantos momentos bons.
Foi com ela, que decidi guardar o meu filho em casa, nunca duvidei do seu empenho e a prova está aí visível no Luís vivo, nos cuidados constantes que lhe permitem sobreviver,
Descobri à posteriori que poucos acreditaram na vitoria de amor que ela demonstrou, abdicando de tanto em prol dele.
O meu filho esteve morto nos meus braços, ressuscitaram dele o cerebelo, o cérebro reptiliano, foi o que me disseram, no Hospital, que por muito cuidado que tivessem com ele, o iam deixando morrer aos poucos.
Uma curta estadia numa Unidade de Cuidados Continuados, forma de despachar doentes que não se queixam, e a 19 de Outubro de 2009 foi deixado ir para casa, para morrer em casa, esgotados que estavam os tratamentos hospitalares, estava só com cuidados de conforto, para casa foi com a mãe, o irmão e o pai.
Depois foi descobrir que ele queria sobreviver, descobrir as dificuldades de manter um doente no estado dele, acamado e cego e alimentado por sonda, pela mãe que o cuida com a nossa ajuda.
Gastei o que pensava não ter para voltar a ser meu, sou tutor de um menino de 29 anos, agarro-me à vida dele, como se fosse a minha e descanso olhando-o, sentindo que ele me sente, na consciência mínima, que é o mundo dele, enquanto o meu mundo enorme se faz pequeno, de o complicar.
Sem comentários:
Enviar um comentário