Nada depois, uma óptima refeição e depois nada. Desta torneira que mantenho aberta e dos copos páginas que foram bebidos, nada sei dos acasos de sedes, breves ou longas, saciadas, por momentos, ou nunca.
Regresso a 86, um dos poucos textos, marcadamente Pessoanos, que sem vergonha deixei sobreviver.
9
Um pouco desse calor de consciente vivo
desse sol que me treme
e eu sentia mais o que já sinto
seria mais consciente do que vivo
nesta inconsciência que me vive.
Sou pedaços que uma mão acaso
de muitos tentou fazer um.
Em mim não há estrada
e Sintra é uma pena que sinto e não tenho
em mim há vida e há restos que faltam.
Sem Chevrolet passeio emprestado
ao que me rodeia por estradas de ninguém
passar é ser sonho que pisa chão
procura que do encontro foge
sonho sem sonho que se sonhe.
Umas vezes mole e outras duro
na mesma me desgasto no que não é meu.
Passa tempo nevoeiro
com marcos que confundem
viagens que não faço a vazios que desconheço.
Passa o que passa e eu passo
nem comboio nem ponte
ilusão passageira.
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