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sábado, 11 de abril de 2020

Passear o tempo

O dia todo eu passo
passeando pensamentos e ideias
que a nada levam
mas me levam
de certeza em certeza
que logo deixo vazias
todas
de as sentir em cada segundo
todas
de as ganhar e logo as perder
todas

tempo longo de o sentir ganho
em cada partícula perdida
neste encher de um copo
que vaza constante
neste passear o tempo sem trela

sexta-feira, 10 de abril de 2020

O..O ponto de vista

O ponto de vista de estar dentro
ou de estar fora
de pertencer ou não pertencer

pequeno ou grande
elevado ou baixo
tudo e nada se ganha
e logo se perde

o crescer do tempo
o alongar do espaço
neste sonho de passear o real
entre os dedos quietos

e olhar

olhar as dúvidas de sempre
ao lado das certezas de nunca

passear pela catedral da vida
erguendo a vista às ogivas erguidas
erguendo sol e a sombra
de passear nelas, embaixo delas
do sol e da sombra, das ogivas erguidas
como linhas de olhar tudo... no espaço que se perde da vista

de a tapar
olhando os dedos
ponteiros
e miras
um
a
um
da perspectiva de ser longamente a pressa de olhar sem pressa
a pergunta horizonte
da resposta que nele se perde

ser de pertencer
ou
pertencer de ser
este tempo que por mim pensa e sente

tempo diferente
de guardar anseios e reter vontades
e de passar lasso e alheio
como se os laços se desfizessem
em cada sensação perdida

cansa esta quietude obrigatória
que tanto desarruma a cabeça de a tentar arrumar













terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Passos

Acordar no tempo que passou
e sentir o peso de cada data
em cada ano, em cada passada
em cada passo de passar
e nem sempre a passear
neste passeio de pedras soltas
de areia que se solta
dos passos que passam
e não param
soltos
passos

NUM LIVRO ANTIGO

Encontrei nele
uma dedicatória como tempo quieto
momentos encontrados
numa caligrafia esmaecida
" O dia 24 de Junho de 1848 Eterna recordação".
O que é eterno?
Tudo é eterno no oceano do tempo
cada gota que se ergue e logo tomba
cada gota que voa, retardando um pouco
o regresso.

De momentos ternos, da ternura do tempo
de sentir o arco íris de cada gota
se fazem os afagos da eternidade.

Esqueci o livro
era uma caixa que guardara vida
que me tinha encontrado
e me fazia agora pensar
nos meus momentos de eternidade.

Visões como ideias, sensações de infinito
e acima de tudo
o ter tido o meu filho Luís
terno
nos braços
eterno
para sempre..........................................




Ao Dº Luís Neiva Santos

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O proveito sem proveito

Obras que só lidas
são as mais faladas
e as menos lidas
recomendadas
marcadas
vividas

dias
lidos
tentados











Tento das coisas
não
o que me poderão dar
mas
o que delas consigo colher
de luz
vagueando no escuro
de ser

o proveito do excesso
é sentir o excesso
sem proveito........

O peso de Auschwitz

Auschwitz
é um pesadelo negro
de o viver dentro

como referencia
de um extremo quase infinito

de não o ter vivido
neste permanente sentir
tantos
auschwitz pequenos
proliferando em cada cabeça
finita, pequena e mesquinha

Palavras como lençóis de cobrirem tudo
deixando o vazio dentro
Palavras como céu azul de cobrir tudo
deste nada esquecido  indiferente
Palavras que afogam o mar profundo
neste navegar à superfície

de quantos mortos se fazem as vitorias
nesta derrota permanente do ser Humano

Palavras de as ter dentro
pedras que navegam correntes
soltas
livres
de navegarem sempre nos mesmos ismos

fascismo  comunismo  racismo  islamismo
extremismo.................................................
formas de acreditar na mentira
mentiras que se fazem a verdade de matar
como quem come e bebe e mata

a vida é um acto de fé de morrer por ela

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Luís-Vincent-Schumacher

Sinto a Poesia como vida
sinto a vida como única certeza
nesta incerteza de estar vivo

o meu filho Luís   morreu a 3 de Julho de 2009
renasceu no mesmo dia
diferente
e de que maneira

é um sobrevivente em consciência mínima
mas está vivo
e é nosso
da mãe que o cuidou para que ele não morresse no Hospital
ou numa Unidade de cuidar indiferente e alheia

está vivo
quieto e dependente
mas vivo, respirando e digerindo a comida que pela sonda lhe entra no estômago
vivo
em cada afago que lhe faço
em cada sentir que não está sozinho
em cada faísca pequena na cabeça
que lhe permite a grandeza de estar vivo

Não há vidas iguais
nesta Poesia que se multiplica diferente em cada uma

Luís-Vincent-Schumacher