Encontrei nele
uma dedicatória como tempo quieto
momentos encontrados
numa caligrafia esmaecida
" O dia 24 de Junho de 1848 Eterna recordação".
O que é eterno?
Tudo é eterno no oceano do tempo
cada gota que se ergue e logo tomba
cada gota que voa, retardando um pouco
o regresso.
De momentos ternos, da ternura do tempo
de sentir o arco íris de cada gota
se fazem os afagos da eternidade.
Esqueci o livro
era uma caixa que guardara vida
que me tinha encontrado
e me fazia agora pensar
nos meus momentos de eternidade.
Visões como ideias, sensações de infinito
e acima de tudo
o ter tido o meu filho Luís
terno
nos braços
eterno
para sempre..........................................
Ao Dº Luís Neiva Santos
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
O proveito sem proveito
Obras que só lidas
são as mais faladas
e as menos lidas
recomendadas
marcadas
vividas
dias
lidos
tentados
Tento das coisas
não
o que me poderão dar
mas
o que delas consigo colher
de luz
vagueando no escuro
de ser
o proveito do excesso
é sentir o excesso
sem proveito........
são as mais faladas
e as menos lidas
recomendadas
marcadas
vividas
dias
lidos
tentados
Tento das coisas
não
o que me poderão dar
mas
o que delas consigo colher
de luz
vagueando no escuro
de ser
o proveito do excesso
é sentir o excesso
sem proveito........
O peso de Auschwitz
Auschwitz
é um pesadelo negro
de o viver dentro
como referencia
de um extremo quase infinito
de não o ter vivido
neste permanente sentir
tantos
auschwitz pequenos
proliferando em cada cabeça
finita, pequena e mesquinha
Palavras como lençóis de cobrirem tudo
deixando o vazio dentro
Palavras como céu azul de cobrir tudo
deste nada esquecido indiferente
Palavras que afogam o mar profundo
neste navegar à superfície
de quantos mortos se fazem as vitorias
nesta derrota permanente do ser Humano
Palavras de as ter dentro
pedras que navegam correntes
soltas
livres
de navegarem sempre nos mesmos ismos
fascismo comunismo racismo islamismo
extremismo.................................................
formas de acreditar na mentira
mentiras que se fazem a verdade de matar
como quem come e bebe e mata
a vida é um acto de fé de morrer por ela
é um pesadelo negro
de o viver dentro
como referencia
de um extremo quase infinito
de não o ter vivido
neste permanente sentir
tantos
auschwitz pequenos
proliferando em cada cabeça
finita, pequena e mesquinha
Palavras como lençóis de cobrirem tudo
deixando o vazio dentro
Palavras como céu azul de cobrir tudo
deste nada esquecido indiferente
Palavras que afogam o mar profundo
neste navegar à superfície
de quantos mortos se fazem as vitorias
nesta derrota permanente do ser Humano
Palavras de as ter dentro
pedras que navegam correntes
soltas
livres
de navegarem sempre nos mesmos ismos
fascismo comunismo racismo islamismo
extremismo.................................................
formas de acreditar na mentira
mentiras que se fazem a verdade de matar
como quem come e bebe e mata
a vida é um acto de fé de morrer por ela
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Luís-Vincent-Schumacher
Sinto a Poesia como vida
sinto a vida como única certeza
nesta incerteza de estar vivo
o meu filho Luís morreu a 3 de Julho de 2009
renasceu no mesmo dia
diferente
e de que maneira
é um sobrevivente em consciência mínima
mas está vivo
e é nosso
da mãe que o cuidou para que ele não morresse no Hospital
ou numa Unidade de cuidar indiferente e alheia
está vivo
quieto e dependente
mas vivo, respirando e digerindo a comida que pela sonda lhe entra no estômago
vivo
em cada afago que lhe faço
em cada sentir que não está sozinho
em cada faísca pequena na cabeça
que lhe permite a grandeza de estar vivo
Não há vidas iguais
nesta Poesia que se multiplica diferente em cada uma
Luís-Vincent-Schumacher
sinto a vida como única certeza
nesta incerteza de estar vivo
o meu filho Luís morreu a 3 de Julho de 2009
renasceu no mesmo dia
diferente
e de que maneira
é um sobrevivente em consciência mínima
mas está vivo
e é nosso
da mãe que o cuidou para que ele não morresse no Hospital
ou numa Unidade de cuidar indiferente e alheia
está vivo
quieto e dependente
mas vivo, respirando e digerindo a comida que pela sonda lhe entra no estômago
vivo
em cada afago que lhe faço
em cada sentir que não está sozinho
em cada faísca pequena na cabeça
que lhe permite a grandeza de estar vivo
Não há vidas iguais
nesta Poesia que se multiplica diferente em cada uma
Luís-Vincent-Schumacher
sábado, 6 de julho de 2019
Poetisa
O circulo de cada instante
o erguer e o cair de cada um
o renascer de cada pedacinho
em cada cor
em cada frémito
de sentir da corrente
a união que se desliga
a cor que se esvai
na que fica na que une
de cada instante
o circulo que se retoma
colorido
de uma cor que escorre
silenciosa
em cada sonho acordado
de serem esses
os mais belos
sonhos
acordados na lua
navegando oceanos
em cada rede repleta de sonhos
palavras
agarradas como sonhos
infinitos de diferentes
e tão iguais de vivos
o erguer e o cair de cada um
o renascer de cada pedacinho
em cada cor
em cada frémito
de sentir da corrente
a união que se desliga
a cor que se esvai
na que fica na que une
de cada instante
o circulo que se retoma
colorido
de uma cor que escorre
silenciosa
em cada sonho acordado
de serem esses
os mais belos
sonhos
acordados na lua
navegando oceanos
em cada rede repleta de sonhos
palavras
agarradas como sonhos
infinitos de diferentes
e tão iguais de vivos
sexta-feira, 3 de maio de 2019
. .
Escrever ou criar
na lentidão de pensar sem pressa
e rasgar ou esmagar
o que passa devagar
sem pressa
paisagem de alhear
de sentir e olhar
a pressa de cada instante
devagar
nesta escrita de momentos
encontrados
de perdidos
na lentidão de pensar sem pressa
e rasgar ou esmagar
o que passa devagar
sem pressa
paisagem de alhear
de sentir e olhar
a pressa de cada instante
devagar
nesta escrita de momentos
encontrados
de perdidos
domingo, 10 de fevereiro de 2019
15 MEDIDAS
Há momentos de ter as cores todas
e há momentos que parecem mais longos
de não as ter
ou não estar nelas
com elas
mas arrastando sempre
delas
a lembrança
que permite a lógica e a razão
de ainda permanecer
de estar
sujeito aos caprichos
de ser
das cores o jogo cinzento
que escurece mas nunca fica negro
na descarga que ainda vem
sempre
antes de o ser
antes do ficar irremediável.
Sentir o vazio da massa que se calca
de não a ter calcado
parecendo vagos os momentos
nos momentos vagos
esquecidos de calcar
vagueando presos
aos desvios todos
do pensamento
às encruzilhadas, desvios e becos
escolhidos e percorridos sem pressa
no gozo de haver momentos
alheados da pressa
e do calcar
por momentos.
Antecipo os momentos
que depois acontecem
descarrilados de um guião fraco.
Antes, durante e depois
fica repleta de emendas a brancura de cada instante
e não há segundo que se repita
nem lição que ensine a viver.
Tudo parece
que acontece
num tabuleiro de xadrez
que afinal não há.
As peças de cada cabeça
que afinal há
em cada uma
mais o tabuleiro de as conter nas estrelas
e no chão
nas jogadas antecipadas
que depois acontecem
descarriladas
das peças de cada cabeça
que por instantes, repletos de emendas
parecem permitir uma aragem de infinito
num sopro de eternidade
curto
descarrilado.
JULHO
Já nem me sinto culpado
sinto a culpa toda
a culpa de uma condenação
que dei em vez de receber.
Os passos todos que foram dados
e tantos tiveram a preocupação
de mo anunciar
ficaram gravados no meu sempre
ao lado, em redor
por dentro e por fora de tudo.
Nestes dois anos uma vida mais longa
do que a minha
anseia embebedar os instantes todos
e nem isso pode.
Parecem vómitos que me sufocam
constantes de os saber meus
para sempre
de os guardar nesta bebedeira
de não a ter em cada instante
nos passos todos
que foram dados
e no meu sempre
para sempre colados.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
14 DEPENDÊNCIAS
4
O respirar suave de estar vivo
o ritmo dele que parece ser o
nosso
em cada movimento, em cada afago
em cada caricia lenta que lhe
faço
de agora lhas fazer como se nunca
as tivesse feito.
5
Acumular as pequenas
e as grandes coisas
as importâncias
e a falta delas
e sentir o depender que se acumula
algumas vezes
como poeira dourada
outras como pó
simplesmente
que também cobre, também pinta
no que assenta de tempo que
passou
sentido
ou por sentir
nas dependências que se unem
e vão roubando o espaço
do que as une
sentindo ou não sentindo
mas unindo.
Prender o que se aprende
acumular e ficar dependente
de um sorriso que não volta mais.
6
A cada porta que parece abrir
uma nova dependência
como um vicio novo
colado à pele dos pensamentos
todos
como se ainda fizesse falta
mais um
para prender de uma forma que se
repete
mas é nova
nos anseios velhos
o tempo todo
o tempo que se prende em cada
frincha
de vida
e de morte
que só fecha para quem morre.
A cada porta que se abre.
Em cada porta um novo abismo
de escadas que sobem descendo
sempre
no patamar de um tempo
dependente
patamar a patamar
como se a soma deles
libertasse deles
a prisão das escadas
que sobem sempre descendo
sempre
ou talvez se mantenham quietas
e só eu me mova no sentido de as
perder
descendo delas em cada instante
a dependência que nas sensações
se enrola
como um vicio que dura
o tempo de estar vivo.
A cada porta que se abre
uma linha nova assinala novamente
o novo antes
e o novo depois
para que de uma linha se faça o
que sai
e o que entra
e o que não regressa.
7
De cada miudeza esmiuçar
o que a fez
o que dela se uniu
transpondo tempo e vontades
dando-lhe a grandeza
de permanecer.
De cada dedo sentir a mão toda
de cada olhar as visões guardadas
para que as trevas se possam
romper
na altura certa das certezas
pequeninas
que juntas permitem o respirar
de valer a pena.
8
Hoje senti de novo
a beleza das contradições
o valor de não estar certo
o incompleto que em tudo reside
de não haver mão que agarre
nem cabeça que abrace
o completo que em tudo reside.
Hoje parei em cada pássaro
o voo que tardava
e depois voaram
de um canto para outro
redondos e silenciosos
de os ouvir
como quem ouve silêncio
e dele retira
os sons todos
e os silêncios todos
e nada mais importa.
Hoje senti que finjo a vida que
tenho
e de tanto a fingir me agarro com
mais força
ao que traz, ao que traz e eu
agarro
arrastado por uma corrente
que desagua em cada esquina
de ainda não ser a minha
e é tão fresca
esta água que me enche
em cada instante
de não o sentir
para só a sentir
a ela
fresca e eterna
em cada momento.
sábado, 12 de janeiro de 2019
Cuidar e manter vivo
O meu Luís
faz hoje 32 anos
ainda ontem nasceu
e eu continha o mundo
nos braços que o erguiam
não falta muito
para que faça 10 anos
de o ter tido perdido nos braços
de o ter agora neste jeito diferente
de ainda ser o meu menino mais velho
o tempo é feito
de momentos que se pintam
momento a momento na cor de cada um
numa corrente que se alonga entre dois pontos
mergulhando neste oceano de sentir o agridoce da vida
de que areia miúda se faz este moer do tempo
este silêncio de acumular sons brancos
nesta consciência mínima viva
maravilhosa de ainda estar
vivo
faz hoje 32 anos
ainda ontem nasceu
e eu continha o mundo
nos braços que o erguiam
não falta muito
para que faça 10 anos
de o ter tido perdido nos braços
de o ter agora neste jeito diferente
de ainda ser o meu menino mais velho
o tempo é feito
de momentos que se pintam
momento a momento na cor de cada um
numa corrente que se alonga entre dois pontos
mergulhando neste oceano de sentir o agridoce da vida
de que areia miúda se faz este moer do tempo
este silêncio de acumular sons brancos
nesta consciência mínima viva
maravilhosa de ainda estar
vivo
segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
domingo, 16 de dezembro de 2018
...gostava...gostava...
Gostava..........
deste percurso
sentir a força de cada elo
desta corrente que não sei se enrola
ou só desenrola
o atrito das sensações
o desgaste das emoções
em cada travar de areia fina
gostava de escrever
como quem marca segundos
no automatismo de um coração
feito caneta
escorrendo tinta
na brancura de um papel desenrolado e sempre branco
do que ainda não passou
nas marcas das cores todas do que já foi
de caminho palpitante
nos segundos todos
caminham as linhas
pelo comboio que enferruja
no apeadeiro
do sossego
dos destinos
todos
Paisagem
como janela
de olhar e sentir dela
o passar como conta
de somar sempre
gotas
que se fazem o universo
de as sentir a todas
negro de o sentir todo
em tudo
branco de o sentir em tudo
como silêncio dos sons todos
colorindo a Paisagem
sem janela
que desfila nas linhas
de as ter dentro
desta ferrugem de pensar
e sentir
deste navegar sem fim
os pedaços todos
quietos
2 O encontro das diferenças
5
No sonho sou sempre criança
e há doces
e o armário é alto
e eles estão lá
e eu não lhes chego.
6
As musas já findaram
o que fizeram já não fazem
em doentias palavras de fastios
individuais enforcadas
em estrume de tantas mortes
inúteis sufocadas
acabaram.
Delas resta no espírito de quem
não as tem
a morta recordação
que sem desejo de as ter as
deseja
enquanto visões impossíveis cegam
quem as persegue e nada consegue.
7
Sinto sem sobressaltos o que
sinto.
Dolentes me sossegam sensações
que me embalam como se fossem
minhas
e me aceitam.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto
fugindo dos cumes que não me
erguem
ou das fossas que não me
enterram.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto
enquanto metamorfoses que nunca
sonhei
me fazem igual a tudo mais igual
que tudo.
Sinto sem sobressaltos o que
sinto.
8
Afogo-me em falhanços
que cioso resguardo
e sereno me mantenho
enquanto procuro água
no deserto em que vivo
e sem que me afogue sobrevivo
sem sede
ao morto que arrasto comigo.
domingo, 9 de dezembro de 2018
Para P. Sabag
Pensar é colorir
dar cor aos momentos
atravessar cada gota
como cada segundo que passa
daltonismo de todos
neste espelho dos reflexos vertiginosos
nesta realidade que se reproduz
infinita
pensar é um silêncio
que percorre vazios preenchidos
paisagens quietas
de as pensar movendo-se
ecos de os sentir a todos
ressoando sons adormecidos
de os ter quietos e reais
eternos
pensar é ocupar
o vazio silencioso do tempo
com este frenesim de viver
cada grão fino que se vai
praia e oceano das cores todas
molhadas e secas e sempre incertas
neste vento tempo que as faz certas
perfeitas
dar cor aos momentos
atravessar cada gota
como cada segundo que passa
daltonismo de todos
neste espelho dos reflexos vertiginosos
nesta realidade que se reproduz
infinita
pensar é um silêncio
que percorre vazios preenchidos
paisagens quietas
de as pensar movendo-se
ecos de os sentir a todos
ressoando sons adormecidos
de os ter quietos e reais
eternos
pensar é ocupar
o vazio silencioso do tempo
com este frenesim de viver
cada grão fino que se vai
praia e oceano das cores todas
molhadas e secas e sempre incertas
neste vento tempo que as faz certas
perfeitas
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
ACTOS NECESSÁRIOS Pensar o sentir
4
Sonhei ser o
reflexo vazio
de
um espelho que me continha
e
tudo me roçava e tudo a meu lado passava
num desgaste lento de sensações
vazias
que
o tempo comia que o tempo trazia
enquanto o reflexo vazio se mantinha
nos
riscos que nele se cruzavam
sem
dele fazerem parte
cada vez mais fraco, cada vez mais fraco
mas
sempre vazio.
5
De
vez em quando acordo
e
nem minha parece a voz que ouço
e
logo calo
enquanto sonolento penso
e
logo me canso.
De
vez em quando penso
em
desejos que o tempo come
antes que a posse lhes dê fim.
De vez em quando penso
no
que é e logo deixa de o ser
enquanto o traço se alonga
de
ponto a ponto
ondulando
inconsciente.
De
vez em quando penso
no
assobio que a velha já não ouve
na
criança esfarrapada que por mim passa
e
eu passo e ela passa e eu penso
e
nem sei o que penso mas penso.
De
vez em quando penso
com
saudades do que ainda não veio
e o
pensamento calo
no
gozo do momento que já veio
e
se vai enquanto penso.
6
A
quem não sabe pedir
entrego o fastio que por mim sinto
por
mim que não sei pedir
que espero o que mais quero
à
porta do que não quero
e
aceito o que vem
em
escolhas que nem sinto
e minhas faço.
7
Poder de mim banir
este vazio de palavras sem sentido
e
sem palavras construir vivas verdades
ganhar sentidos
não
ser o que sou de vazio.
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
17 2013
TENDÊNCIAS
1
Somos como linhas que se tocam e se afastam.
um grupo de alunos parou,
eu tinha a máscara "não me chateiem" colocada
e mesmo assim,
de uma forma cativante,
não sei quantos me perguntaram
se eu era ,
o que tinha aparecido na televisão.
Varrendo folhas, relva e detritos,
numa dimensão de espaço e de tempo que não entendo,
olhei-os desfocados,
como se fossem um só,
depois acordei,
quando se destacou
um
do grupo
e me pediu para dizer um poema.
Sorri no fundo negro e frio que eles tinham iluminado
e tal como lhes poderia ter dito
que a Dobrada não se serve fria,
dei-lhes o meu blogue.
Somos linhas que se tocam e se afastam
e eles tocaram-me na pausa que me ofereceram
2
Tudo funciona no sentido do imprevisível,
unem-se linhas e pontos nas imagens que deveriam ser,
de cada segundo contado,
ou descontado,
a certeza e a incerteza,
das imagens serem sempre diferentes
das linhas e dos pontos que as deveriam criar iguais.
O que é sempre igual?
O tempo alheio de não ser pensado,
nunca
ou a pena que pesa sempre
de o tempo ser só para quem sente,
o trampolim que tudo ergue,
a barreira da lama, das ideias e dos vivos,
em cada segundo de haver vistas e mortos
que se afundam vivos,
que se arrastam rasteiras,
de serem sempre de um voo,
a ideia dele,
a noção dele e nada mais.
3
Tendências de estar e de ser,
acumulam-se no estômago das ideias,
na cabeça que as digere,
divertindo o jogo de sentir e o de pensar
inconsequente,
como se tudo fosse a insónia de viajar constante,
no conciliar de um sono permanente,
de não o ter.
4
Palavras como razão de nunca a ter,
flutuam certas,
no oceano que a todas afunda,
certas de o serem no tempo delas,
na razão delas,
no acabar delas,
no renovar delas em cada cabeça vazia que nelas pousa
e nelas se enche de um vazio que a permite repleta
e o tempo passa no entender de tudo,
a noção de um nada permanente,
que se afunda de navegar junto à costa
e assim fica,
repleto de mortos e desleixo
como vaidade antiga
no lixo recente.
5
Tenho a cabeça cheia
das coisas mais simples,
das insignificâncias,
das necessidades como camadas
que se acumulam,
de folhas e valores,
quentes de respirar ainda,
num equilíbrio do balanço constante de estar vivo,
como nadar até cansar,
como viver até morrer.
domingo, 11 de novembro de 2018
16 2012
CRISTAL
1
Surgem de quase nada
empilhadas
caixas de cristal
transparentes de momentos, que guardam
eternos
estilhaçados no peso, de serem muitos
os momentos
tantos
que são só, e apenas, o que são
momentos
estilhaçados e acabados
no abrir das mãos e no fumar das ideias
que se acumulam
empilhadas
como caixas de cristal
estilhaçadas
no fumo que pesa de um ardor
de momentos e momentos
transparentes, encerrados
sentidos e acabados
momentos empilhados.
2
Outubro e as folhas caídas
na esperança de haver só
um Inverno
que cai
depressivo como berros
que não ouço
como cores que se recusam do branco
e parecem lama
só lama que se cola aos momentos caídos
como folhas
caídas
de haver um fim
cristalino de o ser.
3
A origem do que já está feito
não passa de um devaneio, entre o nada
e o nada.
Quando a obra surge
sente-se a qualidade na transparência
que brilha ausente dos defeitos
das causas e dos efeitos
como cumes sustentados no vazio
como estrelas que tudo tocam
mas ninguém agarra.
Estou a ouvir a Nona, como quem reza
e foi longo, o tempo, que passei
sem rezar com ela
tantas foram as orações
que me permitiram respirar
por ela e por mim
e tantas foram, as caixas transparentes
de encerrarem tudo
na transparência, de nada guardarem
tão importante é tudo
tão importante
na miudeza de nada se guardar.
4
Kadafi foi assassinado hoje
e deus é grande
o Zé também faleceu hoje
assim o quis deus
e uma menina de dois anos
chinesa
foi atropelada, não sei quando
pela indiferença, de muitos
assim o quis, a vergonha
que por eles e por mim
sinto
de estar vivo
indiferente.
sábado, 10 de novembro de 2018
13 2012
PONTOS DE VISTA
1
Se um homem cresce muito
vê mais longe
enquanto pisa o que não vê
indiferente.
Se um homem cresce pouco
não vê tão longe
mas consegue ver o que pisa
indiferente.
Ambos o fazem
e ambos o sabem
e ambos têm direitos e opiniões
que negam
aos que pisam.
2
Amanhece no carvalho que parecia
negro
e agora brilha com as cores da
luz
que não são as dele de certeza
tanto variam ao longo do dia
que se acaba
num entardecer de regresso
às funções básicas
ao desperdício constante
do lucro permanente de estar vivo.
As folhas caem e eu a todas piso
de não as sentir como a folha que
sou
ganhando as cores que parece ter
nas cores que constante perde
de terem sido as cores de tudo
de todos
e sempre de ninguém
tantas são as sensações
que todos podem sentir
de mãos abertas
como folhas de Outono
caídas
mortas
no frenesim de se renovarem.
3
Constantes perpassam as ilusões
de estar vivo
e de olhos fechados tudo tem a
razão
de um cansaço que nada pergunta.
Constantes perpassam as
desilusões de estar vivo
e de olhos abertos tudo ganha a
razão
de um cansaço sem respostas.
4
O que penso parece um cordão.
É de certeza
um cordão que se alonga
na brisa do que é sereno
e tantas vezes se rompe no
vendaval
que o desgasta.
Curto ou longo nem sempre há nós
que o agarrem à sequência
que por ele se desenrola
mas quando os há
parecem terços que pedem orações
desconhecidas
como preces aos tempos todos
aos tormentos e às venturas
desenroladas nas mãos
num ritual permanente
numa devoção constante
ao ritual de permanecer vivo
numa aventura constante
das venturas todas.
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