O Poema que anseio
é sempre
o que escrevo e logo apago
ciente do espaço
do tempo
de sentir
o retardado
desta compreensão tardia do...do...
passo atrasado
no tempo
no espaço
sentido
desta areia escorrendo lenta do...do...
momento
eterno
como gota
do oceano
correndo
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
NEGRO LUMINOSO
I want with the difficult of the moment
so recent and with so much pain
I want to tell the story of the most beautiful
head
outside the smile of the champions
the sun to everybody
inside the illness of no reason
the darkness of the silly nightmares.
All the words of all the world and I don’t have
one
a single one to explain so much pain.
We have in our brains, the universe
we have the dreams and all the darkness
and sometimes we have no mind to make the
choice
between the dark raven and life itself
All the possibilities in my head
and all are made of, if maybe
and always never more
with no raven, no more talking
no more, never more
maybe my dearest child, but you know
I have your brother and your mother to love
and all the people, since the first day
they are always saying to me:
“You need to be brave, you need to be brave”.
I’m brave, in my weakness, I’m brave
I need to be alive to have my heart full of
memories
and to cry the most beautiful Portuguese word
saudades.
1
CHINA
Lentos imagino
que se movam os camiões
que os levam
a
uns fardados
a outros algemados
na viagem
que para uns é longa
e para outros se faz tão curta
no fim com uma bala
na nuca.
2
Repetir mil vezes os mais simples
gestos
para nunca os sentir repetidos
no
sabor que lhes dá alento
no sopro que os alimenta
e os faz
únicos
segundo a segundo pulsando únicos.
Únicos
e depois há sempre um depois
algumas vezes um antes
compartimentos que se fazem
estanques
limites ao que houve
ao que há
numa aprendizagem do infinito
que parece ser nosso
mas cedo se acaba
e nem dos trapos resta o suor
do uso.
3
Esquecer os maus momentos
no cansaço que nem assim os esquece.
Sentir dos segundos os que se vão
e os que ficam
enquanto as certezas se firmam
como lapas
à certeza única que com elas se
vai.
Perco a importância dos maus
momentos
no cansaço que nem assim mos
acaba.
De tudo se faz um resumo
que se vai esquecendo sempre,
sempre.
Dos pedaços que agora parecem
pequenos
e nunca o foram, nunca o foram
de todos se faz o resumo de uma
vida
e todos foram vividos
e o resumo é sempre o mesmo
curta ou longa foi
e deixou de o ser.
4
Meu anjo de asas queimadas
querias voar
mas eu nunca tive
o que te faltou de asas e sossego
que eu nunca tive.
O que te faltou
diz-me baixinho para que todos o
ouçam
no teu silêncio.
O sossego que agora tens
envergonhado anseio roubar-to
na culpa de não te ter dado
na culpa de te querer dar
o egoísmo de me fazeres falta
a mim a mim
sim a mim.
O que te faltou
diz-me baixinho para que todos o
ouçam
no teu silêncio.
A falta de ti que me magoa
mais o pesadelo que me deste
e eu nunca poderei esquecer
mesmo que do teu descanso
te consiga roubar
mesmo que contigo me possa aninhar
para que me digas baixinho
o que te faltou no teu silencio
que agora estoura
na minha cabeça vazia de estar
viva
e nem o sabe.
Diz-me baixinho, o que te faltou
para que eu possa do que me falta
sentir o que te faltou
e baixinho, baixinho quero
guardar.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
4
CÍRCULOS QUE SE ESTREITAM
VASTIDÃO
QUE SE ENCERRA
1
Desconfortável se acomoda
este sossego que não existe
e assim se partem sempre
do que nunca se foi
os folhetos das viagens
que nunca se farão.
Partidas pela vastidão de todos
que todos perdem.
Acomodam-se na poeira que se acumula
e já nem se ergue
as promessas todas
das mentiras que nunca se foram
esquecidas das partidas
pela vastidão de tudo
que todos perdem.
De cada buraco
se erguem verdades
e com elas tudo se faz
e nelas tudo se encerra
para que seja sempre pouco
da vastidão de todos
o que todos podem.
2
Do segundo
que nunca me foi permitido
se fazem distantes
os segundos que me permitem
e a todos eu agradeço
na esperança que não acaba
e por ele constante aguarda
nesta desculpa que me reveste
desta culpa que me esquece.
3
As palavras alinham-se todas
e nada dizem
vazias
transbordam vazias.
Sinto-me tão cheio
de um vazio de tantos
que não posso ser de tantos
o vazio que me enche.
Cantam enormes
as palavras que não escuto
alinham-se todas
uma por uma vazias
de um sentido que nunca houve
na procura que lhes deu sentido.
4
Ciclos se atravessam
e se acabam
enquanto se redura
do que se pode
o circulo que nos enrola.
Paro e no que penso
penso sentir
e assim me conservo.
Voam livres os pássaros
que caem como tordos
que descem e se acabam
na boca de todos.
Paro e no que penso me sinto
me conservo
nesta moleza que me dura.
3
SEM PAUSAS NEM
ARREPENDIMENTOS
1
Forneci batatas
forneci água
forneci o tacho
forneci o fogão e o gás
e nunca tive a chama
que
me fodesse.
2
Sinto-me tão breve
momento a momento
neste afundar das
certezas que não tenho.
Sem tormento
aguardo incerto
e sossegado
aquilo que sempre houve
e não agarro
sedento.
Sinto-me tão breve
momento a momento
no afundar das certezas
que não há.
3
Agora que o sol vai
alto e o calor aperta
me sinto sedento de uma
sede que desconheço
me faço de um sossego
que não existe carente
e aguardo sem pressa o
dissipar do que há
na certeza que ainda me
mantém
De um nevoeiro que cedo
se dissipou
me surgiram cerradas as
certezas todas
que cedo se extinguiram
e com elas não morri.
4
Quem
sente por mim este fastio que se alonga
esta
pungente falta de uma dor que me dói
este
sossego que não sossega mansamente quieto.
Quantas
palavras se perderam no poço que eu sou
e
agora clamam o socorro que não posso
porque
não posso sentir o que sou no que sinto.
E
longos ses arrastando-se no rasto
que
eu persigo em longos trilhos esbatidos
que
eu sigo e comigo tudo segue
sem
que eu o sinta.
Por
nada rangem os meus ossos
no
rugido que em mim se abafa de o não poder.
Nada
me admira em nada me iludo
nesta
ilusão que vivo e de mim se admira.
Não
houve aprendizagem que fizesse
atamanquei
conhecimento
que
agora sinto nas teias que me enredam esvanecidas
por
tantas aranhas que por mim pensam
enredado
ou arredado
nos
escaninhos bolorentos esvanecidos.
Tudo
o que engoli é um vasto nada que de mim transborda
carroças
silenciosas encaminham fantasmas
que
são o que eu sou de os ter tido e nunca os tive.
Penso,
penso, penso e nunca (por pensar) me faço mais do que já sou
e
por mais que o faça não há brisa que não desfaça
o
que penso e se desfaz inútil
no
que em mim sinto longo e fútil.
Tenho
sensações como todos e ninguém
tenho
soluções que se acabam desfiadas na linha podre
que
me amarra nas ilusões que eu sou e sinto.
Revolto-me
em cada passo do atraso de que me faço
e
por mim passam soluções que não abraço
das
ilusões que não alcanço.
Que
sou eu além de um bolor que se perdeu
que
sou eu além do que penso sentir de dor
no
que não sinto afinal em nada que me valha
além
do que em mim sinto e me falha.
2
O ENCONTRO
DAS DIFERENÇAS
1
O que me toca me faz seu
no que me dá
e para sempre fica meu.
2
Cansa-me o proveito que não aproveito
de me sentir tudo
porque em tudo me sinto.
Cansa-me o ser que não me sinto
de nada ser
porque tudo me é alheio.
3
Sentir que tudo poderia ser
diferente enquanto as diferenças me inibem
na escolha que me sinto
retardada.
Sentir que tudo se resume a pouco
enquanto complico a minha
procura da migalha que
sou e não encontro.
Sentir que me elevo nas estrelas
enquanto me doem os pés de serem
meus no lixo que os agarra de ser meu.
Sentir que penso e que sonho
enquanto o proveito de o fazer
nas mãos que nada agarram se vai.
4
Adormecidos numa névoa
sonolenta
que ao meu presente dá
firmeza
recordo instantes da minha vida adormecidos entre passagens.
Passageiros
de mim.
No sorriso que mantenho há
lágrimas secas
chuva que não cai sol que não há
tristeza num escuro vazio
que não vejo mas sinto.
Não
vejo mas sinto.
Estes dias que morrem
sem que os sinta nascer
esta esperança que me entardece
e perdura esquecida e minha.
São
passageiros que me passam
que
não vejo mas sinto
esquecidos
mas meus.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
PENSAR
O OLHAR
1
Um
girar sem fim
de
que tudo parte a que tudo regressa
um
enorme circulo que no fim começa
tudo
é partir num regresso que se foi.
2
O
passe que pago me parece caro
mas
não é
o
pouco dinheiro que nele ponho
não
paga
aventuras,
prazeres e arrelias que com ele tenho
não
paga
a
selva civilizada em que viajo
sempre
nova, sempre imprevista.
É a calcadela
é
a moça que se irrita porque lhe tocam
é
a moça que procura o toque
é
o velho sedutor de olhos piscos
é
o encontrão apalpão
são
as anedotas vivas
de
gente que pensa não o ser.
Há velhas a cair
e
crianças a sorrir
há
solavancos que tudo revolvem
e
protestos que se levantam inúteis.
Adormeço com solavancos
acordo
estremunhado, quente curto sono
e
a paragem já passou
e
eu exercito pernas, corro atrasado
caminho
em dia de greve
bato
pés porque não chega o transporte
e
ele vem cheio e eu não vou, irrito-me
e
o mundo é só raiva
que
logo passa e descanso.
Na selva de braços e de pernas
me
movo entre troncos que se apertam
piso
e sou pisado, devolvo encontrões
cair
é quase impossível
mas
o choque é constante
e
quem não gosta aguenta
e
quem gosta aproveita.
3
Vivo
e recolho o que a mim vem ter
e
do inútil que tudo cobre
de
vez em quando, de vez em quando
há
beleza que brota de semente
que
ninguém semeou
e
eu sorrio porque tudo é bom
e
as dúvidas são só dúvidas.
4
Acordar
e ainda é cedo
não
ter ainda que levantar
e
lá fora faz frio e eu bocejo quente.
Levantar-me manhã cedo
e
no frio que me desperta
sentir
que aqueço e vivo.
Não me deitar
embora
mo peça o corpo cansado
aguardo
que o cansaço pese
e
adormeço sem pesadelo.
Sem
sono estendo o corpo
peço
sono que ainda não tenho
penso
com vagar no que já houve
e
adormeço no que vai haver.
Prolongo com prazer o bocejo quente
no
calor da cama que me adormece
nos
lençóis esfrego o corpo que sinto frio
até
que adormeço e já o não sinto.
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