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segunda-feira, 8 de outubro de 2018


ANALOGIAS DE TUDO
E DE NADA


1
É no papel que eu deixo escorrer
a estupidez do entendimento
numa matemática de números incertos
de charadas e linhas cruzadas
que passam por pensamento
e repetem, repetem no infinito
do finito
os resultados que nunca são iguais
de tanto se tentarem
nos atalhos e caminhos
que mudam como muda o tempo
e o sol e a chuva
e o ser que tenta, tenta sempre
no recreio de se perder.

A solução de tudo é tão evidente
e tão próxima
que também consegue ser a solução
de nada. 



2
Estar em casa e poder olhar o meu filho
vivo
depois de o ter tido morto
na impotência dos meus braços
vivos
é como ter uma capela à minha deusa
e poder ao lado dele
rezar à vida que ainda se agarra
a ele. 





3
Não sei o que fazer deste sol
surpreendente
de me apanhar desprevenido,
radiante
de não o conseguir, no que sinto
chuvoso.

A rotina quebrada deixa-me
temeroso
de ainda não ter pago o suficiente
dos momentos todos
que se fizeram nada
no momento mais
doloroso.

No meio de uma ponte
que por mim sente
olho um antes que parecia pouco
e afinal era tudo.

Na ponte que ainda me permite
circulam os passos ilusões
de ainda serem permitidos
na ponte que por mim sente
e ainda permite os passos
e as ilusões que se perdem no tempo delas
que nunca foi o meu.




4
Os crentes que não cumprem
a fé que dizem ter
não servem de exemplo
não pertencem
ao que dizem pertencer.

Pouco ou muito
negam o que dizem ser
e se não conseguem colocar as palas
de um caminho que afinal não seguem
não são e nunca serão
o que dizem ser.

Enganados
ou enganando
assumem verdades que não são mentiras
ou mentiras que não são verdades.

Ou isso         
e também
aquilo.

No direito do avesso
ou no avesso do direito.

Resumindo tudo
é tudo
e nada não é tudo
é nada.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018


3
Resmas e resmas
de pensamentos brancos
se derramam na magia do sono
como cobertas
na magia do despertar
como pássaros e sol
de nenhum lado
para poderem
de todos
ser a luz branca
que ilumina as sombras todas
de todos os lados.





2
A disposição que se diz boa
ou má
é como um fio
que a tudo se prende
e quebra
tantas vezes
no reatar dos míseros impulsos
nos sons e na falta deles
que constantes
num vício que se prolonga
dependente
oscilam entre o bom e o mau
sempre dispostos
à disposição do momento
que dos mesmos fios permite os nós
mais inconstantes
e o amarrar do que nunca se prende
num recreio de haver sempre
a razão
de não a ter
sempre.


de «Dependências» 2011




1

As linhas estendem-se brancas
e as folhas brancas
na queda que as ergue
alongam imagens que parecem ideias
embora nenhuma
consiga o sorriso interior
de haver luz e beleza
nas folhas brancas caídas.

No erguer de se soltarem
como se a beleza toda
nelas se contivesse
invisível
das ideias e das cores.

Tudo parece possível
em todas
as imagens brancas
de serem brancas
sempre brancas
as venturas e as ilusões
que se estendem, estendem
e deitadas se recolhem
lentas
num tempo que foi
e agora ainda regressa.




















domingo, 12 de agosto de 2018

É o que é .......................e o que não é

A Poesia é uma predadora
de nuvens que apalpa
e logo solta
...........................................
cansa o azul sem elas
no azul que cansa com elas

nas gaiolas de uma neblina leve
são guardados os pequenos frémitos
visões de acordar nelas

a Poesia é uma prisão
de libertar  os que prende
de viver os que morrem

amarra o tempo  neste correr
de sentir as miudezas que nunca param
de correr com elas e com elas sonhar

a Poesia é uma luz de a sentir na sombra
é um caminho recto  de o sentir em cada atalho
é uma descoberta que se perde etérea

alicerces como sensações moldadas
em cada punhado de areia fina como tempo
em cada resvalar de momentos que se prolongam eternos

a Poesia é de tudo  a sensação de nada
brilhando nas estrelas em cada pausa de sentir mais
a fugaz passagem de cada instante vazio
de o sentir completo e pleno no seguinte
só e mente


quinta-feira, 26 de julho de 2018

...()...


........................................




um calhau rebolado
desfazendo tempo
em cada doce polimento
de rebolar no tempo

um copo de sede
que se enche de areia
que parece tão igual
no escorrer lento

uma vaga e logo outra
enchendo e logo vazando
o tempo de chegar e logo partir
em cada molhar de tempo

nada se enche  nada se vaza
o silêncio é um som maravilhoso
de pertencer a um sonho
de o sentir em cada pulsação

tudo se enrola nas voltas de pensar
os extremos unem-se aos extremos
e de cada igualdade se faz a diferença
da luz  sombra da sombra  da luz

Pensamentos vadios invadem
este sentir cristalizado e seco
este reflexo entre espelhos marcados
de luz carregados e vapor de vida soprada



............................................................

domingo, 8 de julho de 2018

Acreditar por momentos...


Papel brancOcupando espaço
branco de nãoOser carregado
na sombra de ser tanto de tão pouco
o que carrega de frémitos
de vibrações de estrelas vivas
que nascem para poderem morrer
no espaço do papel branco
vibrante desenrolado rolo
branco  branco   branco

eestOu  ou sou do que agora ouço
o lou Reed deste silêncio dentro
desta « Coney Island Baby»
desligando ou ou ou apagando
os silêncios....ruidosos vazios de preencher espaços
silenciosos de parecerem   serem  sempre novos

vão caindo as folhas brancas
datas encerradas caindo certas
nas viagens de cada janela   rolando horizontes
como espaços de espasmos correndo

silêncio

sinto o toque de cada ruído
neste silêncio retardado de o pensar já acabado
de o sentir mastigado
pedaço a pedaço       no conto todo   branco
de visões brancas de ilusões
brancas
de soluções brancas

a Nostalgia é a Melodia da..............................
correndo extremos de os ver de os sentir
de os entender nunca
nesta brancura que se escreve branca
eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
imensa de deuses e da falta deles
na brancura de um silêncio negro

o sentido de tudo é um encontro
em cada encruzilhada de seguir sempre
e a razão é um jogo de perder sempre
os dados que se perdem brancos

hoje e por cada salvamento na Tailândia
acredito por milésimas de segundo num deus
que logo perco   perdido que estou deste Universo
em cada grão de dor  farinha de Holodomor
em cada gota caustica  horror de Holocausto
em cada reconciliação  quente da Inquisiçâo

não há Chagall para tanta brancura