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domingo, 25 de março de 2018

Paisagens

Palavras
imagens
recordadas

de um filme inteiro

as guardadas
passadas
imagens
palavras
recordadas

em cada pedaço inteiro

guardado
passado
na imagem
na palavra
recordada

sucedem as paisagens
neste desenrolar de momentos
neste desperdício de sensações
de as sentir sempre
incompletas

as paisagens sucedem
nestas jogadas nunca repetidas
neste tabuleiro  em que tudo
é a sensação de nada
balançando

as paisagens sacodem
este sentir de as ver dentro
aprendendo o que nunca se aprende
entendendo este sentir tudo
esvaziando

as paisagens são palavras
recordadas e acumuladas como poeira
de nuvens  de estrelas sentidas
em cada cor do branco escapada
guardada

as palavras são paisagens
fios desenrolados   pontes erguidas
unindo margens de as sonhar reais
pontos  marcas passadas  sonhos
vividos




domingo, 11 de março de 2018

O sabor a cor de cada bago

Em cada cacho
o sabor de cada bago
de nem todos
de nem todos terem a mesma doçura
o mesmo sabor ou a mesma cor

em cada cacho
a cor de cada momento
de nem todos
de nem todos serem iguais
nesta igualdade que nunca há  bago a bago

cacho a cacho
gota a gota
bago a bago
se marcam os momentos
e a data de cada colheita
de a ter dentro
de a sentir dentro
bago a bago
gota a gota
cacho a cacho

domingo, 11 de fevereiro de 2018

COLORIR O SENTIR




Viver não é somar tempo
é dar cor a cada momento
de os sentir a todos
mais o peso que os une
à leveza do infinito

romper a intensidade de cada instante
sentir séculos em cada segundo
e somar minúsculos frémitos
como ventos e marés de os ter nas mãos

a medida do infinito em cada centímetro
e o riso do universo em cada folha de Poesia
somando letras e linhas e cores
sempre novas
como água correndo primaveras
como sol dourando verão
e outono maduro bocejando
o descanso do inverno  em cada dia

varrer o tempo nunca o apanhando todo
deixar pedaços de cada momento
prolongados pelo tempo todo
e carregar as cintilações todas
como poeira de cores
de estrelas

dos passos na areia se fazem as saudades
e os sonhos de nostalgia que o vento apaga
dos outros se faz uma ampulheta
tempo correndo como areia
tempo encerrado
correndo
grão a grão
na cor diluida
do sonho


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O que se alonga....

Olhei a baleia majestosa
azul de certeza
naquela imagem silenciosa
diminuindo e desaparecendo
no azul cor do céu
no oceano estampado

os olhos fecham as imagens
de as guardarem aconchegadas
no sentido de nunca o ter
no sonho de sentir as gotas
todas
de cada pequeno mar

de quanto espaço se faz o espaço de o sentir vazio

poesia de sentir o crescer das miudezas
correndo riachos
gotejando emoções
escorrendo tudo ao sabor de nada
em cada partícula que é tudo e todo
de pertencer

marco passos nesta areia que desliza seca

olho de novo a baleia enorme
nadando azul no azul que a engole
olho a vertigem  imagem que se expande infinita
no universo indiferente

conto estrelas de as sentir alheias
como grãos de areia escorrendo dos dedos

olho da baleia o espelho de a sentir minha
diminuindo o universo num infinito diferente
de o sentir colado  em cada sensação

de quantos pedaços se faz o inteiro
neste sentir aos pedaços a vida inteira

do azul que cresce se faz o azul que diminui
unindo mundos de miudezas
sentindo de cada agulha o valor de cada uma
picando a cor de pensar
o branco vazio no branco cheio

de que mar se faz o mar grande
o que cresce sem parar
e é grande...grande
de que mar se faz o mar pequeno
o que minga sem fim
e é enorme...enorme

ondas de imagens que se afastam
fechando momentos
concêntricas  sensações
que se espalham lentas
por este moinho de tempo fino
ao vento ao sol e à chuva
aguardando tempo
de ser
momento
em cada cor
em cada som
em cada intervalo do infinito enredado
em cada migalha de sentir
este mundo e o sentir nele espelhado
nesta magia de sentir cada imagem
espalhada por nostalgia
sentida como poesia
indefinida forma de andar
ao sol e à chuva
passeando








CREEME - Vicente Feliu

domingo, 31 de dezembro de 2017

563365

Passos miúdos como conversas de dizer nada, ocupam o tempo todo e dizem tudo, sem pressa, no respirar de cada palavra, no sonho que fica entre tudo e o nada delimitado, pelo sentir de tudo em tudo..........
O tempo permite sentidos, que o tempo permite sentidos, vagas de sensações de espuma e cor diferente, ondulam e pintam, profundos vales e montes, da cor que apetece e do som que vibra nos tímpanos, encerradas sensações estremecidas.........
Esferas de segundos, preenchem as esferas de minutos........ de quantas cores se preenche a esfera dos 365 dias e noites?
?de quantos cinzentos se faz o negro
?de quantas arestas se faz o circulo burilado
o branco não ocupa espaço, está aqui e acolá, é o fundo das imagens todas, é a massa que tudo envolve, é o som antes do som, o eco que se escapa entre os sons, labirinto de contornar palavras, páginas e páginas de visões encerradas, entre linhas de sons esquecidos.......
De quantas tolices se faz a tolice de estar vivo, de quantos passos se faz o caminho direito, de andar às curvas, esquerda e direita e na rotunda sempre a direito, neste passo de apalpar caminho e o tentar sentir todo, em cada pergunta por interrogar, em cada resposta por acabar......
A paisagem dos dias e o sonho das noites, passam alheios como Poesia vagueando, passando para só serem, a paisagem, a nostalgia no que fica passeando os sentidos embotados, na novidade, maçã enrugada de um Estio doce e frio.....
O vento irrompe  de tudo  e atiça o pensamento de nada, estrelas que ninguém pode, em tudo passeiam e ocupam o espaço todo, como bolhas de sabão estourando e colorindo o tempo, enquanto dura o vento que as sopra de nada e as faz tudo, enquanto dura...

domingo, 12 de novembro de 2017

Gotas escorrendo palavras

Cortar das palavras
as definitivas
permitir a liberdade
de serem espelhos
acomodar virgulas e pontos finais
como chuva por cair
no olhar de quem as tenta
sentir

no espaço que as separa
abismo de penas e asas
de nem todas voarem
são somadas as diferenças
em cada ausência
em cada silêncio de ser olhado
em cada imagem ouvida
em cada eco palpado

arestas arredondadas em cada esquina
para que o labirinto de entender
as possa contornar
roçando tempo e mar
ao vento e sem pressa de acabar

cor de amanhecer
segundo a segundo
no anoitecer de cada um
permite de serem iguais
a cor que os faz desiguais

as noções sentem-se na ausência delas
as palavras crescem
quando faltam
e todas são do som
este quebrar sincopado
como quem bate e se faz certo
só por conseguir do tempo
criar cores e imagens nas palavras
espelhos vazios de aguardarem
de cada olhar  a luz  que os enche

das gotas transparentes
escorrendo
se faz o fundo
o profundo
sentir dentro