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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ter ou não ter

















O silêncio tem por vezes
a cara gritante
de o ser, ser
mascara que engole os rostos todos

ser
silêncio
sem mascaras
engolindo pausas que respiram
o silêncio
o silêncio
tesouro de poder ser
de poder ter
tudo e o nunca
por vezes em silêncio
às vezes

caindo suavemente
no universo
no deserto
num P 38 trespassando arcos
de cores transparentes
de tempo
sem tempo





terça-feira, 11 de abril de 2017

O negro do branco

Conciliar as diferenças
nivelando-as na tolerância
e deixando correr o tempo
que esbate as cores e desgasta as formas
enquanto os sonhos grandes
e as ilusões pequenas
se unem
e se perdem em cada instante
das importâncias
que se recuperam
todas
no fim

...................

Oceano de cor
de afogar dentro
o exterior do momento

impressão de cada instante
sensações ao relento
mergulhar o olhar em cada cor
diluindo formas, na cor de cada uma
cor a cor como traços, marcas
de robinson ido

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Entretanto




Sentir como dias que nascem
as noites que começam
ligando dias e vidas
distâncias e pensamentos
ilusão de ser parte
areia que se molha
e depois seca
no eterno molhado
no sempre seco
sensações arrastadas
variações e fugas
de um caminho sempre igual
variando infinitamente
no laço que se prende
à corrente que rola e não pára

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Sem titulo

As pessoas vão
os lugares mudam
nada regressa
e as partidas
são recomeços constantes

a poesia é a nostalgia
de correr os olhos por dentro
enquanto tudo por fora
corre
e dentro se guarda

as parcelas de as conseguir
guardam-se no acabado
deste conjunto inacabado
oceano de gotas
maré de encher   o que nunca vaza

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Continuar

Escrever é como moldar plasticina
escolhendo cores, moldando formas

imagens  lembranças  ideias

que se unem como pedaços
de cores unidas, formas conseguidas

olhar e ver de novo

pegar nas formas, pegar nas cores
e amassar tudo e continuar

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Gotas....

...dias que se acumulam
como gotas pequenas

gota a gota se esgota
o sentir de cada uma
no sentir de todas
correndo
preenchendo espaços sempre vagos
como leitos
de os refazer
em cada esgotante derramar
de cada barragem quebrada
escoando o sentir lento
de cada lago que se acaba

segundos que pesam dias
dias que se acumulam como gotas pequenas

o tempo é um espelho
de cristal polido
alonga-se quebrando
certo
facetado em cada pedaço que se une
ao incerto
espalhando as cores de as ter vivido
espelhando o sentir dos momentos
a imperfeição de cada um
de terem sido atravessados
pelo pensar que neles se perde
dando cor à transparência
de um tempo imparcial
eterno