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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Sem titulo

As pessoas vão
os lugares mudam
nada regressa
e as partidas
são recomeços constantes

a poesia é a nostalgia
de correr os olhos por dentro
enquanto tudo por fora
corre
e dentro se guarda

as parcelas de as conseguir
guardam-se no acabado
deste conjunto inacabado
oceano de gotas
maré de encher   o que nunca vaza

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Continuar

Escrever é como moldar plasticina
escolhendo cores, moldando formas

imagens  lembranças  ideias

que se unem como pedaços
de cores unidas, formas conseguidas

olhar e ver de novo

pegar nas formas, pegar nas cores
e amassar tudo e continuar

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Gotas....

...dias que se acumulam
como gotas pequenas

gota a gota se esgota
o sentir de cada uma
no sentir de todas
correndo
preenchendo espaços sempre vagos
como leitos
de os refazer
em cada esgotante derramar
de cada barragem quebrada
escoando o sentir lento
de cada lago que se acaba

segundos que pesam dias
dias que se acumulam como gotas pequenas

o tempo é um espelho
de cristal polido
alonga-se quebrando
certo
facetado em cada pedaço que se une
ao incerto
espalhando as cores de as ter vivido
espelhando o sentir dos momentos
a imperfeição de cada um
de terem sido atravessados
pelo pensar que neles se perde
dando cor à transparência
de um tempo imparcial
eterno

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O repouso de correr

Água somos
e nasce
e corre
dentro e fora do que somos
água dentro
água fora
correndo dentro e fora
transparente
de mostrar a cor que nela se dissolve
espelhada de ser a cor
que a rodeia
correndo sempre
dentro e fora das certezas
e das dúvidas

correndo no repouso de correr
por correr
sonhando lagos
mar
oceanos
luz e cor alongando distâncias
de as ter como gotas
correndo juntas
rios
fragas
sol

sábado, 14 de janeiro de 2017

escuro e molhado o túnel


Encharcar os pés,
nas poças que não vejo
esmurrar a cabeça,
no tecto que não vejo
gatinhar por vezes
e rastejar,
no que não vejo
de ser quase tudo
tão pouco é
o que vejo.

A luz surge
como ténue reflexo
que nem vejo

depois cresce

e nas formas definidas
não a vejo

enche-as

surge como descanso.

De ver
sorrisos
silêncios
palavras mudas
sombras
de haver luz
rodando quadros
gotejando poças
nas pegadas encharcadas
de as ver rodando
agora.

Velas
revelas
telas
de gotejante beleza
navegando luz
longe, longe e tão perto
da beleza do escuro
do piscar do dia na noite
na nostalgia de ser
porta que se fecha
porta que se abre
no piscar do escuro
no acender de estrelas
nos pés que pousam
no olhar que se ergue
e depois pousa
voando quieto.........

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Lentos

Palavras desenroladas
deslizam sensíveis aos que ouvem

encontros de luz
raios de silêncio desmedido
entre palavras lentas

assombradas enoveladas

insensíveis aos que dizem
como tempo que as marcou
dos que nelas se marcam

carris de um só caminho
que guardam infinitos de viagens
linhas desenroladas que, o horizonte une
arcos de palavras
que respiram momentos, lentos

palavras
conotadas ao que vivem
com palavras, das palavras
como ribeiros que passam sedes
como colheitas que renovam fomes

palavras
poesia de engolir fastios
de olhar tudo na dimensão de nada

palavras
sempre as mesmas
de nunca se repetirem
como traduções do mesmo ser
cruzando-se no infinito dos seres todos

palavras
na imagem que se revela
lenta
no claro escuro de aguardar manhãs
de sol e cor
no quente escuro dos olhos fechados
dos sentidos dormentes
despertando lentos

sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen.

82 decorria e eu andava de aqui para acolá,
carregando roupa como lastro
da leveza da cabeça.
Tinha musica em cassetes
duas de Leonard Cohen, Brahms
Bach, Oldfield e Carmina Burana
mais uma noção de saber tanto
que nem agora sei
o que na hora de ter certezas
eu sabia
rasgando folha a folha
dos cadernos que emagreciam
o guião de estar vivo.

82 decorria e na testa franzida
sonhava pensamentos certos
nos sons que ouvia, cimento que unia
as tolices de viver, ás tolices de sentir
como se a arca de estar vivo
tivesse prateleiras e gavetas
de sentir o calor com tempo
e o frio do voar lento em cada som


rasgado, momento a momento, certo em cada acorde
rouco de fazer, o que já está feito
refazer, o que nunca está feito
enquanto dura o tempo de franzir a testa
e pensar cada som, sonhando
o crescer e o derrubar de cada um
em cada tempo, momento de ser
Cohen, coerente e assim ser e ficar
eterno                              ser
em cada                           ser.




domingo, 6 de novembro de 2016

Sem Pausas.

O encher e o vazar
repetitivo
imitação em tudo
do coração que se cansa
de tudo

sala de espera
espaço de tempo alongado
do entrar e do sair
e o tempo sem pausas persiste

guinadas que se guardam dentro
caminhos que mexem o corpo
quieto de tudo mudar
inquieto de o sentir sem pausas
em silêncio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Silêncio de pertencer

Ser da estória
a folha
ainda branca

o vazio entre

nas gotas
corrente silenciosa
desaguando emoções
pintando ilusões
e sendo sem o saber
a estória do tempo
o tempero que adoça
e amarga
o tempo sem sabor
fel e mel
de quem o passa

Rolos e rolos perfeitos
mecânicamente enrolados
desenrolam linhas
que atravessam tempo
ganhando cores
nas que perdem
cobrindo distâncias
no que desenrolam
cobrando sensações
no que percorrem
no que provocam

desatino de um saber longo
sempre curto
branco
ilimitado

.

sábado, 10 de setembro de 2016

Janelas

Janelas da razão que se abre
batentes ao largo
ondulam imagens de estrelas
distantes calmas
ornamentos da lua cintilando

Janelas da cor engolida no olhar
sentimento cor de dentro

que a janela fecha
que a janela abre

janelas que rasgam ilustres quietos
lentas de um estio dentro

máscaras e areia que se espalha lenta
espelhos de reflexos atrasados
adiantam sonhos que o tempo esbate

embaciados pelo fechar da janela?

pelo respirar pesado de pensar o tempo
preenchendo espaço que afinal
estava cheio
esvaziando o vazio que se enche
de pensar o tempo que não pensa

procuro palavras úteis
como a fonte de Duchamp
interrogações no esgazear daqui
e Dali
e cores quentes neste tempo curvo
de o sentir enrolado
passando correndo e não quebrando
o que por si se quebra de vidros
janelas que se desfazem
no refazer de cada instante
que não pensa mas passa

Janelas
pontos sem fim





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Sons

A maré leva
a maré traz
no que desfaz
se faz o tempo
e o silêncio
de ir
de andar
e ainda voltar

ao ruído de haver espaços
sensações e vidas
cantos abrigos
de sons e poesia

a maré traz e depois leva

sons encantados
de os ouvir nas pausas
de respirar antes
de respirar depois
em cada mergulho profundo
no silêncio dentro
fundo

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Gotas de eternidade em cada ser



Os laços que de um lado
corto
do outro me amarram
curto
no despedir de cada
momento
de os amarrar a todos
vivos
de os sentir longamente
mortos
a todos e a nenhum
repetidos
no adagio, na ária, na paixão
abraço
de sentir dor de não a ter
pertencer
como partida que regressa
ainda
ecos de momentos
agora

Gotas de eternidade penetram

ser

o meu de Bach, Albinoni
choro
a pequenez de me sentir enorme
dentro

domingo, 31 de julho de 2016

Momento a momento de nunca os entender.

De pequenino se torce o pepino
e o vento e o jeito dobram
vontades
verdades que se fazem
lapidares
únicas e certas
respostas de nenhuma pergunta
certeza sem incertezas.

A vontade existe
para ser dobrada
contornada como verdade
feita das mentiras
das verdades todas.

Caminho
miragem de estar quieto
no tempo e no ver
o tempo
de nunca o ver
o bastante
de nunca o sentir
o suficiente.


Encontro verdades como certezas
vivendo vidas
ideias
firmeza
em cada espelho vazio
em cada imagem que rouba
a luz de todos, perpassando sem dono
as imagens de todos, instante a instante
num agarrar que não torce
mas apaga, luz e cor e sonho
dos instantes eternos.

Molduras vazias
telas ainda infinitas
de estarem brancas, repletas de possibilidades.
Espelhos guardados no escuro
junto dos cristais das cores e de nenhuma sombra
ao lado da engrenagem dos instantes
sempre diferentes no desenrolar igual que os permite
diferentes
na luz que preenche de cor o espaço
e as sombras que preenchem o vazio
de o encherem de riscos e borrões
de vida e ilusões douradas
vazias, moldadas ao que abarcam
ao torcer do que é pequeno
e estoura.

Momentos quietos de os pensar
passaram velozes
e de um passeio se faz a Viagem
do amanhecer se faz o anoitecer
de um dia por entender
um a um
sempre.






sábado, 16 de julho de 2016

InfinitoPresenteInfinito

....xadrez dos espaços
dos estados, das peças que se fazem
nossas ou nunca
das cores que separam
unindo contrastes
extremos que mudam
que circulam no tabuleiro
das cores todas
das flores, dos horrores
dos ódios, dos amores

de onde surgem
estes seres que derramam sangue e vidas
quantos entroncamentos fizeram
na vida que por eles escolheu
e os foi moldando
em cada curva do caminho inconsciente
que percorreram acordados
conscientes
na versão deles
da vida que tiveram

nascer e morrer
o que se liga, o que se desliga
percorre infinitos
e quase sem aviso
nascem horrores, dores
e assim se vive
e assim se morre.......

segunda-feira, 4 de julho de 2016

9 Analogias,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,

46
Um balde ainda por encher
de segundos
que foram de quem os agarrou
ou de quem os perdeu
de todos e de ninguém.

Um copo com algumas gotas
as mais marcantes
gotas de sensações e emoções
gotas desiludidas.
Perdidos e achados coloridos
ainda
na cor das gotas dos momentos.

Tento entender a passagem desta ida que me embarca
e num largo oceano eu tento e eu perco
as gotas
que se alheam da explicação
diluídas e alheias, passageiras e inteiras
no que deram ou não deram
mas nenhum oceano explica,
afogado na tentativa,
de explicar o que segundo a segundo
gota a gota

e todas são inteiras

dá de fundamento
ao que são
de gotas
de momentos inteiros
evaporados pouco a pouco
afundados momento
a momento.










sexta-feira, 17 de junho de 2016

Verdade

Uma rede fina
de palavras suavemente agarradas
desliza vidas, sonhos que se fazem
como areia escorrendo palavras

da ampulheta que se vira e revira

fazendo mais fina, a palavra que tomba
areia de sentidos infinitos
plena pela metade
que conta o vazio de encher.

Malha fina entrelaçando milhões
laço de verdades mariposas peixes
enredando vontades, verdades, ilusões

a verdade é um rio que nunca desagua
corre nem sempre manso
no leito atrito do eterno
no que desfaz
no que faz
lento
repouso do tempo.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ao tempo que passa, minúsculo, maravilhoso 9 Analogias de tudo e de nada.

49
De areia se fazem construções
e dunas que o vento lambe
e move constante
no oficio de ser vento
e não temer da areia os grãos
minúsculos
que emperram engrenagens
e de cabeça em cabeça
se fazem tão confusos
de nunca serem os mesmos
nunca
que o vento moveu
e a cabeça acolheu
para que nunca pareça
que eram os mesmos
que o vento moveu
indiferente
e a cabeça acolheu
inconsciente.