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sábado, 14 de janeiro de 2017

escuro e molhado o túnel


Encharcar os pés,
nas poças que não vejo
esmurrar a cabeça,
no tecto que não vejo
gatinhar por vezes
e rastejar,
no que não vejo
de ser quase tudo
tão pouco é
o que vejo.

A luz surge
como ténue reflexo
que nem vejo

depois cresce

e nas formas definidas
não a vejo

enche-as

surge como descanso.

De ver
sorrisos
silêncios
palavras mudas
sombras
de haver luz
rodando quadros
gotejando poças
nas pegadas encharcadas
de as ver rodando
agora.

Velas
revelas
telas
de gotejante beleza
navegando luz
longe, longe e tão perto
da beleza do escuro
do piscar do dia na noite
na nostalgia de ser
porta que se fecha
porta que se abre
no piscar do escuro
no acender de estrelas
nos pés que pousam
no olhar que se ergue
e depois pousa
voando quieto.........

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Lentos

Palavras desenroladas
deslizam sensíveis aos que ouvem

encontros de luz
raios de silêncio desmedido
entre palavras lentas

assombradas enoveladas

insensíveis aos que dizem
como tempo que as marcou
dos que nelas se marcam

carris de um só caminho
que guardam infinitos de viagens
linhas desenroladas que, o horizonte une
arcos de palavras
que respiram momentos, lentos

palavras
conotadas ao que vivem
com palavras, das palavras
como ribeiros que passam sedes
como colheitas que renovam fomes

palavras
poesia de engolir fastios
de olhar tudo na dimensão de nada

palavras
sempre as mesmas
de nunca se repetirem
como traduções do mesmo ser
cruzando-se no infinito dos seres todos

palavras
na imagem que se revela
lenta
no claro escuro de aguardar manhãs
de sol e cor
no quente escuro dos olhos fechados
dos sentidos dormentes
despertando lentos

sábado, 12 de novembro de 2016

Leonard Cohen.

82 decorria e eu andava de aqui para acolá,
carregando roupa como lastro
da leveza da cabeça.
Tinha musica em cassetes
duas de Leonard Cohen, Brahms
Bach, Oldfield e Carmina Burana
mais uma noção de saber tanto
que nem agora sei
o que na hora de ter certezas
eu sabia
rasgando folha a folha
dos cadernos que emagreciam
o guião de estar vivo.

82 decorria e na testa franzida
sonhava pensamentos certos
nos sons que ouvia, cimento que unia
as tolices de viver, ás tolices de sentir
como se a arca de estar vivo
tivesse prateleiras e gavetas
de sentir o calor com tempo
e o frio do voar lento em cada som


rasgado, momento a momento, certo em cada acorde
rouco de fazer, o que já está feito
refazer, o que nunca está feito
enquanto dura o tempo de franzir a testa
e pensar cada som, sonhando
o crescer e o derrubar de cada um
em cada tempo, momento de ser
Cohen, coerente e assim ser e ficar
eterno                              ser
em cada                           ser.




domingo, 6 de novembro de 2016

Sem Pausas.

O encher e o vazar
repetitivo
imitação em tudo
do coração que se cansa
de tudo

sala de espera
espaço de tempo alongado
do entrar e do sair
e o tempo sem pausas persiste

guinadas que se guardam dentro
caminhos que mexem o corpo
quieto de tudo mudar
inquieto de o sentir sem pausas
em silêncio.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Silêncio de pertencer

Ser da estória
a folha
ainda branca

o vazio entre

nas gotas
corrente silenciosa
desaguando emoções
pintando ilusões
e sendo sem o saber
a estória do tempo
o tempero que adoça
e amarga
o tempo sem sabor
fel e mel
de quem o passa

Rolos e rolos perfeitos
mecânicamente enrolados
desenrolam linhas
que atravessam tempo
ganhando cores
nas que perdem
cobrindo distâncias
no que desenrolam
cobrando sensações
no que percorrem
no que provocam

desatino de um saber longo
sempre curto
branco
ilimitado

.